Comunidade celebra criação da Reserva

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: A praia do Batoque, que apresenta uma exuberante beleza cênica, faz parte da Reserva Extrativista que inclui 601 hectares entre mar, dunas e mangues
Foto: Silvana Tarelho
Amanhã, dia 28, será oficializada a criação da Reserva Extrativista do Batoque, localizada no Município de Aquiraz, a 25 quilômetros de Fortaleza. A reserva possui 601 hectares entre mar, dunas e mangues, e tem como objetivo assegurar o uso sustentável e a conservação dos recursos naturais renováveis, protegendo os meios de vida e a cultura da população extrativista local. O decreto criando a reserva foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 5.

Para comemorar, a comunidade estará realizando, às 17 horas do sábado, uma celebração com todos os atores sociais envolvidos no processo. Estarão presentes as comunidades pesqueiras do litoral leste e oeste, as instituições governamentais e não governamentais e movimentos sociais. A programação começa com uma acolhida aos visitantes e parceiros, apresentações culturais e um forró da Resex. No dia 29, haverá a missa e procissão de São Pedro em terra e no mar.

A criação da Reserva representa uma conquista de grande relevância histórica, social e ambiental para a comunidade, que desde 1998 luta para ter realizado este sonho. A Reserva também é uma vitória para o Ibama e para o Estado, considerando as relevantes feições ambientais da localidade, que tem papel fundamental nas regulações ecológicas e no fortalecimento da identidade cultural da população que habita e mantém estreitas relações de uso, preservação e conservação com seu mar, dunas, mangue e praia.

HISTÓRIA - A comunidade do Batoque abriga aproximadamente 200 famílias que têm como principal atividade a pesca artesanal, a agricultura de subsistência em áreas de vazante. Ao longo de um século, homens e mulheres da comunidade desenvolveram formas de uso dos recursos naturais ali existentes que em muito contribuíram para sua preservação e conservação. Cravada em um local de exuberante beleza cênica, próximo a Fortaleza, há mais de duas décadas foi vítima de especuladores imobiliários geradores de tensões e conflitos na comunidade. Tendo o Ibama um papel importante na fiscalização e coibindo a exploração da área.

Em meio a essas tensões, a comunidade toma conhecimento de um importante instrumento legal de Unidade de Conservação direcionado às populações extrativistas e tradicionais, capaz de garantir a preservação e conservação do meio ambiente, assim como a permanência na terra, seu modo de vida e sua identidade cultural - a Reserva Extrativista.

Em 1998, através da Associação Comunitária dos Moradores solicitou ao Ibama/Ceará a criação da Reserva Extrativista. O órgão, por meio do seu Núcleo de Educação Ambiental e da Representação do Centro de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais (CNPT), desenvolveu os estudos necessários para subsidiar o processo de criação da Reserva, aliado a outras ações que deram sustentação a este.

Nessa luta foram parceiros importantes o Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza, o Ministério Público Federal, o deputado João Alfredo (PT). No decorrer do processo outros parceiros foram se juntando como: a Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior, o Instituto Terramar e muitas comunidades pesqueiras que compuseram o cordão de mobilização.