Cidades do Sertão cearense preveem agravamento da crise hídrica com possibilidade de chuvas escassas

Nesta sexta-feira (22), Cagece e Cogerh se reúnem para traçar metas e avaliar o risco de crise hídrica caso ocorram recargas inexpressivas nos açudes estratégicos para o abastecimento das cidades do Estado.

Legenda: Comunidades rurais dependem de carros-pipas para terem acesso a água
Foto: Wandenberg Belem

Seis cidades enfrentam crise hídrica no Estado conforme lista da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), divulgada no último trimestre do ano passado. Outras 10 estão em situação de emergência decretada pelo Governo Federal devido à estiagem – soma-se a essa lista o Município de Monsenhor Tabosa, única a integrar as duas relações. Em comum entre todas elas estão as regiões as quais são situadas. 

Situação de emergência

  • Cedro 
  • Deputado Irapuan Pinheiro
  • Itapajé
  • Jaguaretama
  • Madalena
  • Milhã
  • Mombaça
  • Monsenhor Tabosa
  • Parambu
  • Quixeramobim e
  • Solonópole. 

Sertão Central, Inhamuns, Centro-Sul, localidades onde o acesso à água é difícil, conforme ilustra a agricultora Sandra Batista, de 39, moradora da comunidade Recanto do Odilon, na zona rural do Cedro.

“A gente sobrevive graça a águas de cisterna e carros-pipas".

Mesmo quando chove acima da média, a comunidade padece. “Nos últimos dois anos a chuva até que foi boa, mas a terra estava muito seca, foram muitos anos de estiagem”.  

O também morador da comunidade, Rosivaldo Gomes Ferreira, 51, explica que os açudes não conquistaram recarga e a solução é apelar para os carros-pipas.

“É muito sofrimento, aqui a água é difícil, até quando cavam poços, é difícil encontrar. Olha, tem seca que a gente anda 20 km para pegar água. É muito difícil”. 

O desabafo do agricultor ilustra uma cena que, infelizmente, não deve mudar neste ano. O secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, já havia ressaltado ontem que essas “localidades devem receber poucos volumes de chuva”.

Sua análise para o futuro não é igualmente desanimadora. “Eventos de seca deverão ser cada vez mais recorrentes e cada vez mais extremas”, disse ele, ancorando-se em estudos de mudanças climáticas realizadas por órgãos meteorológicos.  

Legenda: Açudes no Sertão cearense não conquistaram recarga hídrica suficiente. Com cenário futura de poucas chuvas, situação pode se agravar ainda mais
Foto: Wandenberg Belem

Reforço 

Em Cedro,  o chefe de gabinete da prefeitura, Marcos Pitombeira, disse que o “Município tem investido na perfuração de poços e cisternas, além de ofertar assistência por meio de carros-pipas”. Essas ações, no entanto, precisam ser expandidas. Teixeira garantiu que o governo do Estado está "com olhar mais atento para essas localidades que sofrem historicamente com a estiagem".

"Não dá para depender só da chuva. Quando ela não chega, como tem acontecido ultimamente, a gente fica no sofrimento", adverte o agricultor de Monsenhor Tabosa Oliveira Holanda. O sofrimento a que se refere pode ser exemplificado em números. 

O açude do Município permanece seco e os cerca de 17 mil habitantes têm sido abastecido por 30 poços profundos perfurados pelo governo do Estado nos últimos três anos. Para ampliar as ações e traçar metas, a Cagece e Cogerh se reúnem amanhã, dia 22, com o objetivo de atualizar a lista de cidades em crise hídrica do Estado. 

O diretor de Operações para o Interior da Cagece, Hélder Cortez, reforça que o objetivo do encontro é "avaliar o risco de crise hídrica caso ocorram recargas inexpressivas nos açudes estratégicos para o abastecimento das cidades na próxima quadra chuvosa”.

Cidades em crise de abastecimento, conforme a Cagece:

  • Monsenhor Tabosa,
  • Choró,
  • Caridade,
  • Mulungu,
  • Salitre,
  • Pedra Branca.  

Há um ano, essa lista tinha onze municípios:  Acopiara, Itapiúna, Mombaça, Monsenhor Tabosa, Parambu, Piquet Carneiro e Salitre, com sistemas geridos pela Cagece. Iguatu, Icó, Milhã e Quixeramobim, com sistemas geridos por unidades autônomos, os SAAEs.

Para reduzir a dependência da água da chuva, Teixeira aposta numa "gestão hídrica mais eficiente" e com intervenções permanentes. Ele cita a escavação de poços, construção de açudes e instalação de adutoras. A chegada das águas da Transposição do Rio São Francisco é uma das principais apostar para garantir o abastecimento no Estado.

O Açude Castanhão, que responde por mais de 4 milhões de pessoas, deve receber as águas do Velho Chico já no início de março, conforme garantiu Francisco Teixeira. 

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