Ceará passa dos 400 indígenas recuperados da Covid-19; taxa de reprodução ainda preocupa

Um total de cinco mortes foram registrados no Estado, segundo o Ministério da Saúde. Já conforme a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, este número é quase o dobro (9)

Com mais de 450 casos confirmados, as comunidades indígenas seguem com sinal de alerta ligado e enfrentam problemas estruturais.
Legenda: Com mais de 300 casos confirmados, as comunidades indígenas estão com sinal de alerta ligado e enfrentam problemas estruturais.
Foto: Iago Barreto

Com taxa de reprodução ainda acima de um (considerada ativa), a população indígena cearense ultrapassou a marca de 400 recuperados da Covid-19, segundo a Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. Segundo o último boletim, divulgado na última semana, 470 indígenas no Ceará já contraíram o novo coronavírus. Destes, 58 permanecem doentes.

O Ministério da Saúde registrou cinco óbitos entre a população indígena cearense.

  • A taxa de reprodução da Covid-19 indica quantas pessoas podem ser infectadas a partir de um único caso.

A Sesai considera a cura em dois tipos de situações. A primeira acontece nos casos em que o indígena passou 14 dias em isolamento domiciliar, a contar da data de início dos sintomas, e agora esteja assintomático. No segundo caso, o paciente esteve internado em uma unidade de saúde por conta da doença e se recuperou, conforme avaliação médica.

Incidência da doença no NE (Sesai)

  1. Maranhão: 3.395,1  (por 100 mil habitantes)
  2. Potiguara: 1.887,0 (por 100 mil habitantes)
  3. Ceará: 1.657,6 (por 100 mil habitantes)
  4. Alagoas e Sergipe: 1.233,7 (por 100 mil habitantes)
  5. Pernambuco: 491,7 (por 100 mil habitantes)
  6. Bahia: 447,8 (por 100 mil habitantes)
  • Região Nordeste: 1.527,6 | País: 2.106,4

Taxa de mortalidade no NE (Sesai)

  1. Maranhão: 58,2  (por 100 mil habitantes): 22 óbitos
  2. Ceará: 18,5 (por 100 mil habitantes): 5 óbitos
  3. Pernambuco: 18,0 (por 100 mil habitantes): 7 óbitos
  4. Alagoas e Sergipe: 16,0 (por 100 mil habitantes): 2 óbitos
  5. Potiguara: 6,6 (por 100 mil habitantes): 1 óbito
  6. Bahia: 6,1 (por 100 mil habitantes): 2 óbitos

Diferença

O Ceará tem a segunda maior taxa de mortalidade entre indígenas do Nordeste, ficando atrás, apenas, do território indígena do Maranhão (58,2), que soma 22 mortes causadas pela doença. O índice cearense é de 18,5. Segundo a Sesai, cinco indígenas já perderam a vida no Estado por conta do novo coronavírus. No entanto, há controvérsias em relação a este dado.

Conforme a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o Ceará soma nove mortes causadas pela doença (quase o dobro do registrado pela Sesai). A diferença se dá porque o levantamento da entidade considera os casos de indígenas aldeados e não aldeados. Segundo a Apib, duas das mortes foram de mulheres indígenas, seis de homens e em um dos casos não há informações.

“A falta de transparência dos dados da Sesai impede a identificação de muitas cidades onde os óbitos aconteceram”, ressalta a Apib.

Óbitos de indígenas por conta da Covid-19 (Apib):

  • Tapeba: 3
  • Pitaguary: 2
  • Tabajara: 1
  • Anacé: 1
  • Tremembé: 1
  • Sem informação: 1

Óbitos por município (Apib):

  • Caucaia: 4
  • Maracanaú: 2
  • Tamboril: 1
  • Itarema: 1
  • Sem informação: 1

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