Caatinga tem “pega do boi”
Escrito por
Redação
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A vaquejada de hoje é resultado da antiga ´pega do boi´, prática revivida por um grupo de vaqueiros do Cariri
Missão Velha. Uma “pega de boi” dentro do mato fechado, por cima de pau e pedra, descendo e subindo tabuleiro e enfrentando grotões com risco de morte. Este é o mais novo esporte que vem sendo praticado na zona rural do Cariri, uma versão atualizada das festas de apartação de antigamente e uma resposta contra vaquejadas que marginalizam os tradicionais vaqueiros do sertão.
“Na pega do boi só participa que tem coragem de entrar no mato fechado, na ´unha-de-gato´, tendo a sorte como companheira e Deus como testemunho”, diz o vaqueiro Damião das Neves Pereira, organizador do evento, acrescentando que estes profissionais de vaquejadas, acostumados a correr em cavalo de raça com pista de terra, não aparecem nesse tipo de competição rural.
O corredor de vaquejada Samuel da Silva, conhecido por “Biel”, diz que participar da vaquejada é muito mais leve. “Aqui, no meio da Caatinga, o perigo é muito grande. Há risco de morte”, afirma.
Damião explica que a “pega do boi” tem como objetivo oferecer espaço para os autênticos vaqueiros do sertão que não têm condições de pagar uma senha para se inscrever nas vaquejadas, nem cavalo de raça. Com apenas R$ 20,00, o vaqueiro participa da festa e concorre a um boi como prêmio.
De acordo com o regulamento, o boi é solto no mato fechado, numa área de 30 hectares. Os vaqueiros inscritos seguem no coice do boi. Aquele que derrubar o animal, deve colocar o chocalho e a careta no animal e trazê-lo de volta para o local onde foi solto. O vaqueiro tem o direito de ficar com o bovino ou receberá o prêmio em dinheiro, cerca de R$ 300,00. Se o boi não for derrubado até à noite, voltará para o promotor do evento.
A pega do boi é antecedida de uma confraternização entre os vaqueiros. Eles se reúnem no Sítio “Olho D’água Cumprido”, município de Missão Velha, em torno de um mungunzá, churrasco e goles de cachaça.
Às 8 horas, um grupo de vaqueiros conduz o gado de uma fazenda próxima do local onde o boi será solto, para dentro de um curral. Ali é escolhido o animal. A seleção é complicada. Os vaqueiros escolhem o boi mais valente. O laçador Francisco Cardoso Jacinto, conhecido por Valdízio, pega o bovino no laço.
Os vaqueiros observam o comportamento do boi. Só é escolhido aquele animal que, mesmo depois de laçado, continua pulando. Se for um boi manhoso, isto é, mais pacífico, que se deita ao ser laçado, é descartado. Muitas vezes, o boi é segurado pelo chifres. Os mais afoitos montam no animal, sob os aplausos dos outros vaqueiros do grupo.
Tradição antiga
O animal é amarrado pelos pés e levado numa carroça para o local onde os vaqueiros estão reunidos, jogando sinuca, comendo e bebendo. Ali, o bovino é amarrado, enquanto são feitas as inscrições para a pega. Em seguida, o boi é solto na caatinga e começa a competição rural, uma tradição bastante antiga que é revivida.
O agropecuarista José de Caldas Rolim lembra que, no passado, a corrida não se resumia à pratica de esporte rural. “Nas fazendas de antigamente, o gado era criado solto na Caatinga. A cada temporada ou fim de estação, os fazendeiros organizavam o que eles chamavam de ‘pega de boi’, uma festa onde se reuniam todos os vaqueiros da região para pegar o gado que vivia na solta e que seria marcado a ferro, castrado e conduzido para áreas onde os pastos existissem em maior abundância”, explica.
Zé Rolim diz que era uma tarefa difícil. Os animais viviam em áreas de mato fechado, cheias de espinhos e galhos secos. “O exercício de capturar o boi no mato exigia do vaqueiro extrema perícia e coragem. Depois acabou criando heróis e muitas lendas entre os homens rudes do campo”, afirma, complementando que os melhores e mais corajosos eram reverenciados como ícones.
A pega de boi ganhou nova roupagem. Saiu do cenário sertanejo e ganhou as grandes cidades, que construíram os parques de vaquejada, oficializando o esporte.
Enquete
O que é preciso para participar da ´pega´?
José de Caldas Rolim
Agropecuarista
'O exercício de capturar o boi no mato exigia do vaqueiro extrema perícia e coragem. Tudo isso é muito necessário.'
Damião das Neves Pereira
Coordenador da ´pega do boi´
'Só participa que tem coragem de entrar no mato fechado, na ´unha-de-gato´, tendo Deus como testemunho.'
Samuel da Silva
Corredor de vaquejada
'Aqui, no meio da Caatinga, o perigo é muito grande. Há risco de morte e são necessárias muita destreza e atenção.'
ANTÔNIO VICELMO
Repórter
Missão Velha. Uma “pega de boi” dentro do mato fechado, por cima de pau e pedra, descendo e subindo tabuleiro e enfrentando grotões com risco de morte. Este é o mais novo esporte que vem sendo praticado na zona rural do Cariri, uma versão atualizada das festas de apartação de antigamente e uma resposta contra vaquejadas que marginalizam os tradicionais vaqueiros do sertão.
“Na pega do boi só participa que tem coragem de entrar no mato fechado, na ´unha-de-gato´, tendo a sorte como companheira e Deus como testemunho”, diz o vaqueiro Damião das Neves Pereira, organizador do evento, acrescentando que estes profissionais de vaquejadas, acostumados a correr em cavalo de raça com pista de terra, não aparecem nesse tipo de competição rural.
O corredor de vaquejada Samuel da Silva, conhecido por “Biel”, diz que participar da vaquejada é muito mais leve. “Aqui, no meio da Caatinga, o perigo é muito grande. Há risco de morte”, afirma.
Damião explica que a “pega do boi” tem como objetivo oferecer espaço para os autênticos vaqueiros do sertão que não têm condições de pagar uma senha para se inscrever nas vaquejadas, nem cavalo de raça. Com apenas R$ 20,00, o vaqueiro participa da festa e concorre a um boi como prêmio.
De acordo com o regulamento, o boi é solto no mato fechado, numa área de 30 hectares. Os vaqueiros inscritos seguem no coice do boi. Aquele que derrubar o animal, deve colocar o chocalho e a careta no animal e trazê-lo de volta para o local onde foi solto. O vaqueiro tem o direito de ficar com o bovino ou receberá o prêmio em dinheiro, cerca de R$ 300,00. Se o boi não for derrubado até à noite, voltará para o promotor do evento.
A pega do boi é antecedida de uma confraternização entre os vaqueiros. Eles se reúnem no Sítio “Olho D’água Cumprido”, município de Missão Velha, em torno de um mungunzá, churrasco e goles de cachaça.
Às 8 horas, um grupo de vaqueiros conduz o gado de uma fazenda próxima do local onde o boi será solto, para dentro de um curral. Ali é escolhido o animal. A seleção é complicada. Os vaqueiros escolhem o boi mais valente. O laçador Francisco Cardoso Jacinto, conhecido por Valdízio, pega o bovino no laço.
Os vaqueiros observam o comportamento do boi. Só é escolhido aquele animal que, mesmo depois de laçado, continua pulando. Se for um boi manhoso, isto é, mais pacífico, que se deita ao ser laçado, é descartado. Muitas vezes, o boi é segurado pelo chifres. Os mais afoitos montam no animal, sob os aplausos dos outros vaqueiros do grupo.
Tradição antiga
O animal é amarrado pelos pés e levado numa carroça para o local onde os vaqueiros estão reunidos, jogando sinuca, comendo e bebendo. Ali, o bovino é amarrado, enquanto são feitas as inscrições para a pega. Em seguida, o boi é solto na caatinga e começa a competição rural, uma tradição bastante antiga que é revivida.
O agropecuarista José de Caldas Rolim lembra que, no passado, a corrida não se resumia à pratica de esporte rural. “Nas fazendas de antigamente, o gado era criado solto na Caatinga. A cada temporada ou fim de estação, os fazendeiros organizavam o que eles chamavam de ‘pega de boi’, uma festa onde se reuniam todos os vaqueiros da região para pegar o gado que vivia na solta e que seria marcado a ferro, castrado e conduzido para áreas onde os pastos existissem em maior abundância”, explica.
Zé Rolim diz que era uma tarefa difícil. Os animais viviam em áreas de mato fechado, cheias de espinhos e galhos secos. “O exercício de capturar o boi no mato exigia do vaqueiro extrema perícia e coragem. Depois acabou criando heróis e muitas lendas entre os homens rudes do campo”, afirma, complementando que os melhores e mais corajosos eram reverenciados como ícones.
A pega de boi ganhou nova roupagem. Saiu do cenário sertanejo e ganhou as grandes cidades, que construíram os parques de vaquejada, oficializando o esporte.
Enquete
O que é preciso para participar da ´pega´?
José de Caldas Rolim
Agropecuarista
'O exercício de capturar o boi no mato exigia do vaqueiro extrema perícia e coragem. Tudo isso é muito necessário.'
Damião das Neves Pereira
Coordenador da ´pega do boi´
'Só participa que tem coragem de entrar no mato fechado, na ´unha-de-gato´, tendo Deus como testemunho.'
Samuel da Silva
Corredor de vaquejada
'Aqui, no meio da Caatinga, o perigo é muito grande. Há risco de morte e são necessárias muita destreza e atenção.'
ANTÔNIO VICELMO
Repórter