Bicicleteiros de Quixadá descobrem trilhas no sertão
O ciclismo rural começou há três anos, mas a partir do segundo semestre de 2014 está se fortalecendo
Quixadá. Não importa a idade, o sexo, a cor, religião, profissão e muito menos o peso. Todos os fins de semana e nos feriados eles se reúnem para a prática de um lazer considerado muito saudável, o ciclismo. São os "bicicleteiros" de Quixadá. Nas manhãs dos domingos eles saem a pedaladas percorrendo trilhas pela zona rural de Quixadá e municípios vizinhos. Os percursos variam, de 20 a 80Km. O ciclismo rural começou há três anos, mas a partir do segundo semestre do ano passado está se fortalecendo. A cada dia o número de participantes está crescendo. Eles integram o Clube Sou Bicicleteiro. Hoje são mais de 240, mas os grupos se reúnem no máximo com 20 participantes para realizarem as trilhas.
No percurso, além de conhecerem novas localidades, enfrentarem obstáculos e superarem o cansaço, fazem novas amizades e apreciam a fauna, a flora e a paisagem. Sempre tem algum membro da equipe, formada por comerciantes, autônomos, servidores públicos, engenheiro, homens e mulheres, para fotografar o passeio aventureiro. Fazem questão de registrar tudo para não se tornar "estória de pescador". Eles superam estradas ruins, lamaçais, poças, rampas, riachos e até encontram animais selvagens pelo caminho. A espécie de diário de bordo é publicada na página do Sou Bicicleteiro no Facebook.
Os primos Danilo Capistrano e Fred Capistrano são os principais articuladores do grupo. Através de ligações telefônicas, redes sociais, e nos encontros noturnos sobre as bicicletas quando estão pedalando pelas ruas da cidade eles reúnem os praticantes para discutirem qual a próxima trilha a ser percorrida. No feriado do 1º Maio, ele e outros 14 ciclistas realizaram mais uma trilha, de 90Km. Partiram cedinho do Centro de Quixadá e retornaram no fim da tarde após cruzarem várias localidades e os distritos de Juá e São João dos Queiroz.
Maior distância
No fim de semana anterior um grupo de "bicicleteiros" comandados por ele percorreu a maior distância desde a criação do Clube. No total foram 270Km, de Quixadá a Pacoti. No caminho passaram por Baturité, Guaramiranga, Mulungu, e Aratuba, retornando por Capistrano. Além de conquistarem uma marca surpreendente eles buscavam superar os próprios limites, sempre entoando o lema: um bicicleteiro nunca deixa o outro para trás.
O empresário Dário Lobo começou a sentir essa sensação há pouco mais de três meses. Mas para ele já foi tempo o suficiente para perceber os benefícios da atividade. Os hábitos começam a mudar, para melhor. Com os exercícios o corpo exige mais nutrientes, saudáveis. No caminho acabam descobrindo um mundo novo, incluindo curiosidades históricas, sobre fazendas e povoados. Na última trilha ele conheceu uma delas, onde foi fabricado o primeiro guaraná Wilson. Mais a frente conheceu um veterano da 2ª Guerra Mundial e seu pitoresco barzinho, onde preserva relíquias históricas como um sextante, um acessório náutico. Pelo que viu e sentiu, recomenda e está orgulhoso por ter se tornado um "bicicleteiro". Para participar basta apenas entrar em contato com algum membro do Clube Sou Bicicleteiro. Para acompanhar os ciclistas aventureiros é preciso apenas ter uma bicicleta montain bike. O capacete, sapatilhas, um terno esportivo com proteção de espuma, luvas e uma mochila, com água, mantimentos e estojo de primeiros socorros são os acessórios ideais. Quem preferir pode participar apenas com bermuda, camiseta e um par de tênis; mas um item é essencial: muita disposição para pedalar.
Com 36 anos, o esportista escalador Gilmakis de Lima, mais conhecido como Kido Aranha, é um dos membros mais entusiasmados do grupo. Ele também é "bicicleteiro". Confessa ter se distanciado um pouco este ano.
Esta elaborando e organizando uma série de provas de ciclismo de pista em Quixadá. A competição é voltada para grupos fechados, quem realmente é esportista da categoria.
Com o apoio da multinacional Herbalife pretende revelar alguns campeões para participação em competições no Estado e nacionais. No domingo houve mais uma prova na cidade. Os competidores participaram em baterias nas categorias Elite e Iniciantes. Em breve, surgirão provas de montain bike, para os trilheiros do sertão.
Mais incentivo
Na avaliação dos "bicicleteiros" de Quixadá, se houvesse mais incentivos econômicos para os esportistas, esse tipo de esporte seria mais difundido.
Entretanto, quem procura um espaço na cidade para pedalar é obrigado a disputá-lo com automóveis, motocicletas e ainda caminhões e ônibus.
O único parque de Quixadá, o Lago dos Monólitos, está abandonado. Salvo apenas pela pista de bicicross. Mas também não existe nenhuma ciclovia, apesar de ter sido promessa de campanha dos gestores municipais.
Havia até um projeto de uma via exclusiva para os ciclistas, no trajeto de acesso ao Açude Cedro, mas não saiu do pape
FIQUE POR DENTRO
Origem da bicicleta gera controvérsias
Segundo historiadores, documentos antigos guardados no Museu de Madrid mostram projetos de uma bicicleta do grande inventor italiano Leonardo da Vinci. Estes projetos, elaborados no século XV, não foram executados. Outros, contestam a autoria do invento. Na China, a invenção da bicicleta é atribuída ao inventor Lu Ban, que nasceu no país asiático há mais de 2.500 anos. Em 1680, um alemão construtor de relógios, Stephan Farffler, projetou e construiu algumas cadeiras de rodas tracionadas por propulsão manual através de manivelas, mas outro compatriota, o barão Karl von Drais é considerado o inventor da bicicleta.
Em 1817 ele implementou um brinquedo que se chamava celerífero, conhecido atualmente como velocípede. Logo depois, outro barão, Drais, instalou um sistema de direção, um guidão, e de frenagem no invento. O sucesso foi tanto que em abril de 1818, o próprio Barão Drais o apresentou no parque de Luxemburgo, em Paris, na França. Drais patenteou a novidade em 12 de janeiro de 1818 em Baden, Paris, e outras cidades europeias. Mesmo sendo um avanço para a época, seu produto não tornou-se popular. Mesmo assim os franceses gostaram.
Anos mais tarde, em 1862, a Prefeitura de Paris criou caminhos especiais nos parques para os velocípedes não se misturarem às charretes.
Mais informações
Clube Sou Bicicleteiro
Rua Basílio Pinto, 157
Centro - Quixadá
Sertão Central
Telefone: (88) 9968.2976
Alex Pimentel
Colaborador