Após cinco anos, Adutora de Pereiro entra em fase de teste

Iniciada em 2016, a obra tinha prazo para conclusão de 120 dias. Porém, após a empresa vencedora da licitação abandonar os trabalhos, ela ficou parada por dois anos. A expectativa é que, agora, Pereiro tenha segurança hídrica

Legenda: A vazão da adutora será de 60m3/h. A demanda local é de 85m3/h. O complemento virá de poços.
Foto: Foto: HONÓRIO BARBOSA

Depois de cinco anos enfrentando uma das mais severas crises hídricas do interior cearense, o município de Pereiro, localizado em uma serra no Vale do Jaguaribe, finalmente começa a receber água oriunda do Rio Jaguaribe. O líquido está sendo transposto por uma adutora de 38 km de extensão cujo início das obras datam o ano de 2016. A instalação está em fase de teste, mas já é motivo de comemoração entre os moradores que, a partir de agora, se verão livres de comprar água por meio de carros-pipa.

A previsão da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) é que a obra seja entregue no fim deste mês, após reparos pontuais de vazamentos. O Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) e a Cagece avaliam que foi um desafio colocar esse projeto em funcionamento após correções, paralisações, abandono e contratação de uma segunda empresa. Isso porque a empresa vencedora da licitação não finalizou os trabalhos no prazo estipulado, e a obra ficou paralisada por quase dois anos.

A captação de água da Adutora de Montagem Rápida é feita na localidade de Mapuá, às margens do rio Jaguaribe, no Município de mesmo nome. É necessário passar por cinco estações elevatórias até chegar ao sistema de tratamento de água da Cagece.

"É preciso vencer a elevação da serra em uma altura de mais de 500 metros, passar pelas estações elevatórias e percorrer uma extensão de quase 40 quilômetros", observou Hélder Cortez, diretor de Negócios do interior da Cagece. "É uma obra desafiadora. Mas o sistema está em pré-operação e vem funcionando adequadamente", considerou.

Descrença

O sentimento entre parte dos moradores de Pereiro era descrença. Muitos já não acreditavam que a obra pudesse, um dia, ser finalizada. "Eu estava descrente, não esperava mais porque estavam sempre adiando e há mais de cinco anos que falavam nessa adutora", disse a dona de casa Luzanira Pereira. "O nosso sofrimento sem água nas torneiras foi grande, mas agora começa a diminuir", completa. Nesta fase, técnicos da Cagece estão acompanhando o funcionamento do projeto que foi executado pela empresa Primor, contratada pelo Dnocs.

Importância hídrica

O açude Adauto Bezerra, no entorno da cidade de Pereiro, secou em 2015. O reservatório era a principal fonte de abastecimento do sistema de distribuição de água para os 15 mil moradores. Poços foram perfurados, mas a vazão foi insuficiente. A alternativa foi a contratação de caminhões-pipa, pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), para colocação de água em reservatórios nas esquinas e praças com sistema de chafariz.

No entanto, o líquido distribuído gratuitamente não servia para o consumo humano. Era preciso comprar água potável para beber por um preço que, para a maioria, pesa no orçamento. Um balde de 20 litros, por exemplo, custa R$ 2 e vem de um poço chamado Tomé Vieira, na zona rural do Município.

O vai e vem dos caminhões passou a ser uma cena comum nas ruas da cidade. Agora, com o início da fase de testes, o sentimento de quem dependia desses carros é de conforto. A dona de casa Raquel Vieira é uma das que se mostram aliviadas com a chegada de água da adutora. "Em poucos dias, já percebemos a melhora, e tomara que no próximo ano chova bem para não faltar água no rio Jaguaribe", frisou. Ela detalha que, em anos anteriores, sem água nos açudes e sem poder contar com a adutora, "a água não chegava a vários bairros e a outros era apenas de sete em sete dias".

Impacto

Além das famílias, a escassez de água em Pereiro trouxe dificuldades para os empresários que, assim como o restante da população, passaram a comprar água por um preço mais caro do que o da Cagece para viabilizar os negócios. "Passamos a pagar duas contas de água", disse Franci Nogueira, que tem uma lanchonete na cidade e sentiu na pele - e no bolso - os impactos da escassez hídrica. "Os custos do negócio cresceram", lamentou.

Segurança hídrica para Pereiro 

Ao fim da fase de testes, a vazão da Adutora será de 60m3/h. No momento, já chegam à Estação de Tratamento de Água (ETA) da Cagece 58m3/h.
A demanda local em condições normais de abastecimento é de 85m3/h. A vazão máxima necessária no sistema será atingida com a complementação de poços existentes e que hoje abastecem 20% da cidade.

A segurança hídrica deste sistema que tem sua captação no leito do Rio Jaguaribe no distrito de Mapuá está garantida por três fontes. A perenização do rio Jaguaribe no período chuvoso pelas contribuições das chuvas; a perenização do manancial pelo açude Orós e pelas águas da transposição do Rio São Francisco.Ao longo dos últimos 30 anos, nunca houve escassez de água neste trecho do Rio.

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