Antigas brincadeiras estão vivas entre as crianças
Nas ruas das cidades do Interior, brincadeiras infantis como pega-pega, esconde-esconde, pular corda e elástico, pão-duro, amarelinha, bola de gude (bila), pião e soltar pipa (papagaio) ainda fazem a alegria de meninos e meninas. Cada um tem seu tempo, ao longo do ano. Nos bairros da periferia ocorre a maior incidência desses jogos. São alternativas à televisão e aos jogos eletrônicos que deixam crianças e adolescentes sedentários.
Honório Barbosa
sucursal Iguatu
A tecnologia avançou bastante nas duas últimas décadas. Muitas coisas mudaram e quase não se brinca mais como há 30 anos. Os jogos eletrônicos ficaram mais populares. Não é mais preciso comprar um vídeo game ou um computador. Eles estão presentes em salas comerciais instaladas nos centros e nas periferias das cidades. Por apenas R$1,00 pode-se brincar por duas horas.
Apesar dessas facilidades e do atrativo destes jogos, as tradicionais brincadeiras de rua permanecem no imaginário dos meninos e meninas. “Se compararmos com um passado recente, as brincadeiras de ruas diminuíram muito, mas não acabaram. Essas diversões mantêm um forte aspecto lúdico”, observa a professora de educação infantil, Mara Cristina Oliveira.
A professora reclama da falta de espaços adequados. “Na maioria das cidades não há equipamentos públicos, praças com quadras, áreas apropriadas para o lazer dos moradores, principalmente na periferia. Muitos brincam nas ruas”.
Ela observa também que antigas brincadeiras de roda, acompanhadas de modinhas, praticamente desapareceram. “Ainda persistem aquelas tipo corre-corre, esconde-esconde, pular corda ou elástico. Os meninos continuam soltando pipa, brincando de bila e pião quase desapareceu”.
A música “Teco-teco” da dupla Pereira da Costa e Milton Villela, interpretada por Gal Costa, descreve com ritmo e perfeição a vida das crianças num passado recente marcado pelos jogos e brincadeiras coletivas. “Teco, teco, teco, teco, teco/ Na bola de gude/ era o meu viver/ Quando criança no meio da garotada/ Com a sacola do lado/ Só jogava prá valer/ Não fazia roupa de boneca/ nem tão pouco convivia/ Com as garotas do meu bairro que era natural/ Subia em postes, soltava papagaio/ Até meus quatorze anos era esse meu mal”.
Nesta época do ano, é comum soprar um vento forte e frio no sertão cearense. É o tempo de soltar pipas. Nos terrenos baldios ou mesmo nas ruas, driblando a fiação elétrica, os meninos empunham os papagaios que sobem com facilidade e deixam o céu mais colorido.
No bairro Cohab, na periferia de Iguatu, os meninos já soltam pipas. Em tempo de Copa do Mundo, prevalecem as cores da seleção brasileira. Cada um tenta mostrar mais habilidade com as manobras.
“Agora é o tempo de soltar arraia”, explica o estudante Edmilson Júnior. “No começo do ano, a gente brinca de bila e pião”. O vento forte e frio é um convite para a brincadeira. Em julho, deve aumentar a presença dos adolescentes soltando pipa.