Retirada de pré-candidatura indígena ao Senado pelo Psol no Ceará gera racha interno no partido

Em manifestações através de redes sociais, membros do Psol lamentaram a retirada de candidatura de Paulo Anacé

Escrito por Felipe Azevedo, felipe.azevedo@svm.com.br

PontoPoder
Indigena Paulo França Anacé
Legenda: Paulo França Anacé era o candidato do PSOL ao Senado Federal pelo Ceará
Foto: Reprodução/Facebook

A decisão por maioria do diretório estadual em retirar a pré-candidatura ao Senado Federal de Paulo Anacé para apoiar o ex-governador Camilo Santana (PT) na corrida ao cargo ocasionou um racha interno no Psol do Ceará.

Nessa quarta-feira (3) o partido já havia informado que Adelita Monteiro não iria mais disputar o cargo de governadora, e que iria se engajar na campanha de Elmano Freitas (PT).

Sem mencionar Anacé, Adelita escreveu nas redes que a decisão interna foi tomada após diálogo com Lula, Camilo e Elmano. "Decidi aderir à unidade para derrotar o bolsonarismo. Não há projeto pessoal que esteja acima do desafio histórico", declarou.

Em nota, a executiva estadual do partido explica que as manifestações contrárias à decisão são de uma minoria, já que foram 15 votos a favor da retirada das candidaturas e cinco contrários. Houve seis abstenções.

"A maioria da direção estadual entendeu que não seria justo retirar as candidaturas de duas mulheres e manter a candidatura de um homem ao Senado, não deslegitimando sua trajetória e seu compromisso com a luta, mas não seria coerente de nossa parte", diz parte da nota. 

Em manifestações através das redes sociais, membros do partido lamentaram a retirada da candidatura de Paulo Anacé. Anteriormente ele havia sido apresentado como único nome ao Senado Federal de origem indígena no Ceará. 

Com a nova composição, o Psol deverá se presentar para as Eleições 2022 no Ceará apenas com candidatos a deputado estadual e federal, abrindo mão das candidatuas ao Executivo e ao Senado após acordo com o Partido dos Trabalhadores. 

Uma nota assinada pelo deputado estadual Renato Roseno diz "lamentar profundamente" a postura do diretório estadual. O texto frisa ainda que a decisão foi contrária à vontade de Paulo Anacé, que pretendia seguir candidato ao cargo de senador. 

"Lamentamos profundamente a retirada da candidatura indígena em nossa chapa majoritária e manifestamos aqui nossa irrestrita solidariedade ao companheiro Paulo Anacé. Esperamos, sinceramente, que o partido repare essa injustiça", diz a nota, que também é assinada pelo militante João Alfredo.

Racha no PSOL

A vereadora de Fortaleza pelo mandato coletivo Nossa Cara, Adriana Gerônimo, disse que a decisão do diretório estadual é lamentável. "Me coloco à disposição de lutar para reparar esse grave erro, não abriremos mão", escreveu a parlamentar. 

Também militante do partido pelo diretório do município de Crato, Zuleide Queiroz, disse estar de acordo com a retirada da candidatura de Adelita ao Executivo, mas que discordava da decisão em cancelar a campanha de Paulo Anacé. 

"Ele não estava de acordo, foi um grave erro e deve ser reparado. Unidade para derrotar os fascistas, mas sem violentar pretos(as) e indígenas", disse a militante.

"Todo meu apoio ao nosso camarada Paulo Anacé, que representa a luta por outro tipo de sociedade: em harmonia com a natureza de que somos parte", escreveu também o militante do partido, Ailton Lopes.