Salmito responsabiliza Lula por vitória de Bolsonaro: 'Trabalhou para desunir'

O atual presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, eleito deputado estadual, ainda disse que o PT, no passado, se opôs a interesses do País

O presidente da Camara Municipal de Fortaleza (CMFor) e deputado estadual eleito Salmito Filho (PDT) culpa o ex-presidente Lula (PT) pelo racha do campo da esquerda, que teria levado à derrota na disputa presidencial e à ascensão de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Para ele, o presidente trabalhou para desunir o "campo popular-democrático".

"Não teve, na minha opinião, a habilidade e, diria mais, a responsabilidade de trabalhar para unir o campo popular-democrático. Pelo contrário. Ele trabalhou para desuni-lo e, pior do que isso, trabalhou para além do interesse legítimo da candidatura do seu partido, mas também para isolar a candidatura do Ciro (Gomes) a presidente, que foi seu aliado leal por muitos anos", declarou, em entrevista no plenário da Casa nesta terça-feira (30). Durante a pré-campanha, o PT obteve a neutralidade do PSB em troca do apoio à reeleição do socialista Paulo Câmara para o Governo de Pernambuco.

Para Salmito, neste momento, é necessária a construção de uma oposição que ponha os interesses nacionais acima dos interesses partidários. Ele, que chegou à Câmara Municipal como filiado ao PT, declara que, por vezes, seu ex-partido não se comportou assim. "O PT não assinou a Constitituição Federal, foi contra o Plano Real... Essa oposição não interessa ao Brasil", declara. De acordo com o pedetista, o ex-governador Ciro Gomes (PDT), candidato também derrotado na disputa presidencial deste ano, deve liderar um projeto de oposição em termos diferentes. "O Ciro irá liderar um projeto de oposição responsável, com uma crítica construtiva pensando sempre no Brasil", explica.

Relação

Desde o segundo turno, a relação entre PT e PDT tem passado por solavancos. Os trabalhistas anunciaram "apoio crítico" à candidatura de Fernando Haddad (PT), não mobilizando suas lideranças em favor do petista. Ciro partiu para férias em Paris e voltou apenas às vésperas da votação do último dia 28 de outubro. Em nenhum momento, declarou apoio explícito a Haddad. No domingo, após votar no segundo turno, declarou que esperava não precisar estar ao lado do PT.

"Eu não quero fazer campanha para o PT nunca mais", disse. Na segunda (29), divulgou carta aberta em suas redes sociais que se encerra declarando que a oposição a Bolsonaro "não se confunde com forças que só defendem a democracia ao sabor de seus interesses mesquinhos ou crescentemente inescrupulosos ou mesmo despudoradamente criminosos". Ele não citou nomes.

O PT, por sua vez, miminiza a falta de apoio. No domingo, o líder da oposição na Câmara dos Deputados, o deputado federal reeleito José Guimarães (PT), disse que a falta de apoio explícito de Ciro não fez diferença, já que Haddad teve mais de 70% dos votos no Ceará, único Estado onde o ex-governador cearense liderou no primeiro turno.

"Esperava que ele estivesse conosco, mas como não esteve, que pague o preço", declarando que, diante das opções, não era preciso gostar do PT para estar ao lado do partido naquele segundo turno. "Basta ter compromisso com a democracia". Guimarães avalia que "Haddad sai legitimado para liderar a oposição e a resistência democrática no País".

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