Recursos das campanhas em Fortaleza vêm de partidos e doações

As candidaturas à Prefeitura de Fortaleza declararam cerca de R$ 2,3 milhões nesses primeiros dias de campanha de rua. Boa parte desse dinheiro está sendo investido em impulsionamento de conteúdo na internet

Legenda: Os candidatos precisam comprovar como estão gastando as receitas na campanha eleitoral
Foto: Fabiane de Paula

Em uma semana e meia de campanha eleitoral, as primeiras cifras de financiamento e investimento na propaganda foram registradas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A maior parte do dinheiro usado para a divulgação das campanhas, até ontem, veio dos recursos partidários, repassado pelos dirigentes às candidaturas.

Dos nomes colocados na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, o deputado federal Célio Studart foi o que mais recebeu nessa modalidade. Foram R$ 627.120,00 mil do Partido Verde. A quantia representa 99,21% do que o candidato recebeu para divulgar as promessas de campanha.

Filiados a partidos que receberão os maiores valores do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) neste ano, Heitor Freire (PSL) e Luizianne Lins (PT) possuem repasses, cada um, no valor de R$ 450 mil. O montante representa 100% do que eles declararam até ontem na plataforma DivulgaCand.

Por outro lado, as doações de pessoas físicas às campanhas já chamam atenção logo no início da disputa eleitoral na Capital. Quem lidera esse ranking provisório é o Capitão Wagner (Pros).

O deputado recebeu doação de R$ 500 mil do senador Eduardo Girão (Podemos). O parlamentar é o coordenador da candidatura do deputado federal em Fortaleza.

O candidato do Governo, Sarto Nogueira (PDT), soma R$ 282.500,00 em doações. Ou seja, todos os valores declarados nesse início de disputa pela campanha do deputado estadual vieram da colaboração de simpatizantes.

Até ontem, o único na disputa ao Paço Municipal que recebeu doações de financiamento coletivo foi Renato Roseno (Psol). A doação de R$ 21.997,69 mil representa 66,22% do que o deputado estadual declarou de receita à Justiça Eleitoral.

Professor Anizio (PCdoB), com R$ 8 mil, e Paula Colares (UP), com R$ 1.554,67, também declararam recursos exclusivamente oriundos de doações de pessoas físicas. Com a reforma eleitoral, as empresas foram proibidas de formalizarem doações para as campanhas. No entanto, os repasses individuais, ou seja, de CPF's continuam permitidos.

Os demais candidatos, Heitor Férrer (SD), José Loureto (PCO) e Samuel Braga (Patriota), até ontem não haviam publicado receita nem despesa.

Estratégia

A maior parte do dinheiro recebido pelos candidatos tem um destino só: o impulsionamento de conteúdo na internet. No cenário da pandemia da Covid-19, Sarto Nogueira (PDT) é quem lidera a despesa. São R$ 150 mil empenhados - ou seja, o total do que foi declarado com gasto até ontem. Na sequência, vem Capitão Wagner (Pros), com o investimento de R$ 25 mil, depois Célio Studart (PV), com R$ 17.900,00; Renato Roseno (Psol), com R$ 2.300,00, e Professor Anizio (PCdoB), com R$ 700,00.

De acordo com o consultor político Leurinbergue Lima, o principal fator dessa estratégia de impulsionamento é "a pandemia, porque despertou em muitos candidatos a necessidade de redes sociais".

Segundo ele, "muita gente que nem tinha redes sociais, ou tinha e não usava, que às vezes usava um celular que não era nem smartphone, passou a se sentir obrigado a entrar nas redes sociais".

De acordo com o especialista, com o início da propaganda na TV e no rádio muda parcialmente isso.

"Para o vereador é indiferente, porque não tem programa, só os comerciais. E em 99% dos casos os partidos que pagam. Agora para prefeito tem custo, sim", diz.

Leurinbergue Lima explica que o candidato à Prefeitura "vai contratar a agência, a produtora, a equipe que irá filmar". "Mas a pandemia vai impactar nisso também, principalmente no interior, onde o Ministério Público está firmando acordos entre os candidatos para evitar comícios, caminhadas e eventos que possam gerar aglomerações. Aí a campanha vira pequenas reuniões, visitas pontuais e tome redes sociais. E claro, rádio", avalia.

Impactos

Para a cientista política Monalisa Soares, a partir de agora é preciso acompanhar os impactos que esses impulsionamentos vão causar.

"Até porque, tinha-se uma expectativa grande de que as atividades de rua não seriam tão mobilizadas este ano por conta da pandemia, e que as redes sociais é que seriam o palco, mas isso não se concretizou", argumenta.

"Vimos em Fortaleza atividades intensas, mas essa estratégia das redes vinha desde 2016. Em 2018 atinge seu ápice e agora vem ainda nessa grande onda. Temos que ver que, nesse momento, agora também pode haver um recuo das campanhas de rua por conta do que ocorreu com o Sarto (contaminado com Covid-19). Talvez eles vejam que precisam adequar as estratégias de rua", ressalta a pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Para Monalisa, as redes vêm também para fortalecer outra etapa, que é a visibilidade das propostas. Segundo ela, a campanha virtual é mais segmentada pelo perfil do eleitorado, que consegue filtrar melhor quem se quer atingir com aquela mensagem.

"É diferente, por exemplo, da TV, que vai começar na sexta-feira, em que atinge todo mundo que está assistindo", pondera.

Ainda de acordo com a pesquisadora, as redes também atuam como possibilidade de fomentar um eleitorado mais engajado, e ajuda ele, dando possibilidade de salvar e compartilhar propostas nas próprias redes sociais, de tentar mobilizar outras pessoas, encaminhar material, compartilhar os conteúdos.

Ao todo, até ontem, a soma de todos os dados repassados pelos candidatos à Prefeitura da capital cearense, foi contabilizado R$ 2.362.392,87 de receita para investimento nas campanhas.

Conforme determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cada campanha majoritária em Fortaleza tem um teto de gasto no primeiro turno de R$ 14.135.674,35. Já no segundo turno, as cifras podem chegar até R$ 5.654.269,74. Na disputa por uma cadeira na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), cada campanha a vereador pode gastar até R$ 524.050,70.

Limites de gastos

O TSE definiu que quem desrespeitar os limites de gastos fixados para cada campanha pagará multa no valor equivalente a 100% da quantia que ultrapassar o teto fixado, sem prejuízo da apuração da prática de eventual abuso do poder econômico.

Segundo turno

Nas campanhas para segundo turno das eleições para prefeito, onde houver, o limite de gastos de cada candidato será de 40% do previsto no primeiro turno.

Detalhamento

O limite de gastos abrange a contratação de pessoal de forma direta ou indireta, que deve ser detalhada com a identificação integral dos prestadores de serviço, dos locais de trabalho, das horas trabalhadas, da especificação das atividades executadas e da justificativa do preço contratado.

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