Partidos aceleram definição de alianças no 2º turno em Fortaleza

PT e Psol oficializam apoio à candidatura de Sarto Nogueira, enquanto Capitão Wagner se articula com lideranças políticas para fortalecer campanha e deve anunciar adesões à sua candidatura em entrevista coletiva hoje (18)

Legenda: Sarto Nogueira (PDT) e Capitão Wagner (Pros) vão se enfrentar no segundo turno da eleição municipal no próximo dia 29
Foto: Camila Lima

Faltando 12 dias para o retorno às urnas, os partidos correm contra o tempo a fim de fechar novas alianças para aumentar suas chances de uma vitória na disputa pelo comando dos dois maiores colégios eleitorais do Ceará (Fortaleza e Caucaia) na votação do segundo turno das eleições municipais no dia 29.

Desde o início da semana, as articulações dos grupos políticos avançaram e chegam à fase dos anúncios formais de adesões aos finalistas.

Em Fortaleza, ao anunciar, ontem, apoio à candidatura de Sarto Nogueira (PDT), o PT seguiu posição do governador Camilo Santana e se uniu às forças governistas no Estado contra o candidato Capitão Wagner (Pros). Ele, por sua vez, se articula com vereadores e lideranças políticas para se fortalecer na campanha. O candidato do Pros convocou uma entrevista coletiva hoje para tratar da questão.

O posicionamento do PT era o mais esperado. Camilo, principal liderança do partido no Estado, tinha declarado apoio ao candidato pedetista, mas havia uma incógnita sobre o rumo do partido.

 

O ponto de divergência era a candidata derrotada Luizianne Lins que, além de fazer oposição ao grupo dos irmãos Ferreira Gomes, que comandam o PDT, foi alvo de ataques de Sarto no primeiro turno. No entanto, segundo o presidente do PT na Capital, Guilherme Sampaio, a petista "tem clareza absoluta" de que a prioridade da sigla é "derrotar o fascismo", representado, na visão do PT, por Wagner.

Em comum acordo com Luizianne, a cúpula do PT na Capital se reuniu na manhã de ontem e aprovou por unanimidade apoio à candidatura de Sarto. Membros do diretório do PT frisaram a tarefa de unir os partidos ligados ao campo da esquerda nesta fase da eleição. Sarto tentou articular, pessoalmente, esse suporte e ligou para lideranças petistas.

"O que estamos fazendo de tomar essa decisão política é para não perder tempo e orientar claramente os nossos eleitores, filiados e militantes", justificou.

Psol

Já o Psol do ex-candidato Renato Roseno divulgou uma nota, na noite de ontem, também manifestando adesão a Sarto, usando argumentos semelhantes ao do PT.

"Sem nada conceder nem pleitear, no segundo turno das eleições em Fortaleza, o Psol fará campanha para derrotar o Capitão Wagner, candidato de Bolsonaro, chamando o voto em Sarto, ao tempo em que cumpriremos os mandatos recebidos, sem apoio ou cargos em um governo Sarto", declarou trecho da nota.

Divergências

Apesar de Luizianne estar ciente do apoio do PT a Sarto, ela não se manifestou publicamente, passou o dia "reclusa", segundo aliados. Os ataques da candidatura de Sarto à petista provocaram um mal estar, internamente. Na coletiva, Sampaio registrou que as críticas foram "injustas" e "excessivas" e ressaltou que a campanha dela foi vitoriosa pelos mais de 227 mil votos conquistados pela chapa. "Foi uma campanha muito dura e ela enfrentou com muita coragem, está se recuperando, é natural".

Tanto é que, depois desses atritos, um ponto a ser discutido na aliança do segundo turno é o nível de engajamento do PT na campanha de Sarto. Segundo Guilherme, os passos do partido vão depender do diálogo com o governador Camilo Santana. Os partidos selaram a união neste segundo turno, em um ato simbólico, na sede do PT na Capital.

Questionado sobre as críticas feitas a Luizianne, Sarto disse que fez um debate político e tem respeito a ela. "A minha campanha pode, eventualmente, ter feito uma crítica, mas quero registrar que o nosso debate é político. Respeito muito a trajetória da Luizianne. Não (falei com ela), até pra respeitar o momento individual".

A aproximação de PT e PDT no segundo turno pode inaugurar uma nova relação política na Capital, sinalizou Sarto. Atualmente, o PT faz oposição à gestão de Roberto Cláudio. "Imagino reconstruir muitas coisas, muitas interlocuções. A minha proposta, para além da continuidade, é avançar em todos os sentidos e tentar construir consensos".

O PCdoB deve fazer um ato simbólico hoje com o candidato do PDT para selar a união neste segundo turno.

Oposição

Wagner ainda se articula para agregar forças para o segundo turno. Conforme aliados, ele busca apoio de vereadores e lideranças comunitárias. Hoje o candidato participará de uma entrevista coletiva, na sede do comitê do partido.

Na tarde de ontem, o senador Eduardo Girão (Podemos) esteve no Centro, conversando com a população e, como coordenador da campanha de Wagner, buscou apoio para ele ganhar força no 2º turno.

"A verdade precisa ser mostrada para as pessoas. Infelizmente, a campanha do outro lado está sendo com ataques e mentiras. Todos que conhecem a campanha do Wagner sempre viu que o grande aliado dele é o povo".

Girão também ressaltou que Wagner tem uma postura independente em relação ao presidente Bolsonaro, que o apoiou publicamente. "Ele tem tanta independência que votou contra alguns projetos do Governo. Ele é um conservador, mas não é bolsonarista", defende o senador, um dos coordenadores de campanha do Pros.

Caucaia

O segundo turno da eleição municipal em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, o segundo maior colégio eleitoral do Estado, também vive o movimento de adesões aos candidatos que vão disputar o segundo turno no próximo dia 29.

Ontem, a ex-candidata à Prefeitura de Caucaia Emília Pessoa (PSDB) declarou apoio ao candidato Vitor Valim (Pros). Emília ficou em 3º lugar, com 32.492 votos. A articulação da aliança foi feita pelo deputado Roberto Pessoa (PSDB), eleito prefeito em Maracanaú. A reunião ocorreu na casa dele.

O apoio da tucana a Valim ocorre um dia após o adversário dele, o atual prefeito Naumi Amorim (PSD), receber o apoio do PCdoB, conforme anunciou uma nota divulgada na noite da última segunda-feira (16). No comunicado, o PCdoB também declarou apoio a Sarto Nogueira (PDT), em Fortaleza. A nota "conclama a todos a não se dispersarem e cerrarem fileiras para derrotarmos Bolsonaro e seus candidatos nas duas maiores cidades do Ceará. Todo apoio a Sarto em Fortaleza e Naumi em Caucaia".

O apoio do PSDB a Valim reforça a articulação do candidato do Pros para superar a vantagem obtida pelo prefeito do município de mais de 200 mil eleitores. No primeiro turno, Naumi teve 69.262 votos (40,93%), ante 47.171 de Valim - o que representa 27,87% dos votos.

O atual prefeito de Caucaia conta com o apoio do governador Camilo Santana (PT). O candidato petista Elmano de Freitas terminou o primeiro turno na quarta colocação, atrás de Emília Pessoa, totalizando 7,67% dos votos válidos.

O vice de Valim é Deuzinho Filho (Republicanos), enquanto o vice de Naumi é Eneas Goes, do PSL. O primeiro turno em Caucaia contou com oito candidatos a prefeito.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre política

Assuntos Relacionados