Dos 20 candidatos a vereador que mais gastaram, 13 não se elegeram

Em média, cada postulante desembolsou R$ 56,3 mil durante a campanha para chegar ao parlamento municipal da Capital cearense. Principais investimentos dos candidatos foram em material impresso e atividades de militância

Dos 20 candidatos à Câmara Municipal de Fortaleza que mais gastaram com a campanha deste ano, 13 não conseguiram se eleger. Inclusive, o postulante na disputa proporcional que mais aplicou recursos não foi eleito nem sequer conseguiu vaga de suplente.

No ranking de candidatos com os maiores montantes colocados na disputa, 11 ficaram como suplentes, sete obtiveram a vaga e três não foram eleitos. Ao todo, a disputa para ocupar alguma das 43 vagas na Câmara Municipal de Fortaleza teve 1,3 mil concorrentes e custou R$ 8,1 milhões.

Contudo, esse valor corresponde a recursos investidos por menos da metade dos postulantes, já que somente 521 declararam despesas à Justiça Eleitoral. Em média, aqueles que se elegeram desembolsaram R$ 56,3 mil.

Vereador mais jovem eleito para a Câmara Municipal de Fortaleza, Carmelo Neto (Republicanos) teve 8,5 mil votos, entrando na 20ª vaga da Casa. O novato no Parlamento aplicou R$ 178,7 mil. Em média, cada voto custou R$ 21. Ele direcionou os recursos principalmente para prestação de serviços por terceiros, publicidade por adesivos, atividades de militância, além de impulsionamento de conteúdo.

Por sua vez, o advogado e ex-candidato Márcio Guanabara (MDB) gastou R$289,9 mil - valor mais alto entre os postulantes ao parlamento municipal -, mas recebeu 4,2 mil votos e não foi eleito. Em média, cada voto custou ao candidato R$ 68. Os valores foram gastos principalmente em atividades de militância, serviços prestados por terceiros e publicidade impressa.

Carlos Dutra (Republicanos) investiu R$ 173.440,40 e obteve 441 votos. Para conquistar a vaga na suplência de vereador, o candidato desembolsou R$ 393,29 por cada voto. É o maior valor gasto proporcionalmente por voto entre os 20 que mais investiram na disputa pelo espaço no legislativo fortalezense.

Candidato mais votado para a próxima legislatura em Fortaleza, Ronaldo Martins (Republicanos) conseguiu baratear o custo médio do voto recebido por ter ganhado muito apoio do eleitor. Os R$ 136.890,34 investidos acabaram ficando apenas R$ 4,30 por voto pelos mais de 31 mil votos recebidos.

Entre os que mais aplicaram recursos, Lúcio Bruno (PDT) e Antônio Henrique (PDT) estão entre os vereadores eleitos com os gastos médios mais baixos. O fato se resume pela alta quantidade de votos recebidos pelos que obtiveram sucesso no pleito.

Voto

Para o cientista político da Universidade de Fortaleza, Francisco Moreira Ribeiro, o fato de o alto gasto com a campanha não ter sido decisivo para eleger nomes para o legislativo da Capital é positivo. Ele lembra que as eleições no País, tradicionalmente, são resolvidas pela quantidade do recurso investido - principalmente quando falamos das disputas no Executivo. Para Ribeiro, a eleição de 2018 já indicava esse movimento da relação dinheiro e voto nos embates nacionais, quando a eleição entrou nas redes sociais.

Por outro lado, o pesquisador aponta que a eleição municipal deste ano tratou de questões caras para a sociedade - como a pauta ambientalista, do movimento de negro, movimento de mulheres e minorias, além da pauta conservadora que tem ganhado espaço no legislativo local. A movimentação acabou chamando atenção do eleitor mais do que os investimentos em adesivos, bandeiras ou vídeos sem conteúdo atraente para conquistar os votos.

Estratégias

Para o sociólogo Jonael Pontes, "uma campanha política precisa de uma estratégia", que não basta apenas ter capital financeiro. "É preciso estar municiado de armas que consigam fazer com que a pessoa seja bem-sucedida numa campanha. Apenas focar nessa questão de financiamento não tem demonstrado resultado (para o legislativo)".

Para o pesquisador da Universidade Federal do Ceará, é preciso haver uma conexão entre o discurso do candidato e o eleitor para um resultado exitoso. "Você tem que se conectar com o seu eleitorado, com aquela parcela que você quer atingir. Penso que quem sabe implementar estratégias, as regras no campo político, conseguir atingir o objetivo. A gente está em um momento da política em que algumas pessoas estão sem perspectivas", ressalta.

Parte dos candidatos, para Pontes, adotou estratégias que não dialogam com o grande público.

"Quem soube aproveitar melhor o espaço de visibilidade, seja no Instagram ou Facebook, se deu melhor. Quem conseguiu utilizar essas ferramentas (com conteúdo estratégico) foi mais bem-sucedido. A candidatura coletiva 'Nossa Cara' usou as redes sociais ao máximo. É uma ferramenta extremamente importante. É preciso se reciclar, se reinventar. Só santinho nas ruas está ultrapassada".

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