Metade dos prefeitos das capitais vai tentar reeleição em novembro

Nas 26 capitais do País, 13 prefeitos buscam um segundo mandato, enquanto a outra metade se despede do cargo após a reeleição em 2016. Forças conservadoras e progressistas disputam os maiores colégios eleitorais.

Legenda: Primeiro turno da eleição municipal está marcado para o próximo dia 15 de novembro
Foto: Fabiane de Paula

Para metade dos prefeitos das 26 capitais do País, o objetivo da eleição de novembro é se manter no poder conquistando um segundo mandato. A luta pela reeleição coincide com os desafios enfrentados pela gestão municipal decorrentes da pandemia do novo coronavírus, que até ontem acumulava 4,4 milhões de brasileiros infectados e mais de 134 mil mortos. Além disso, será uma campanha fragmentada, com muitos rostos, de políticos experientes a novatos, todos disputando o voto em condições inéditas, como as restrições impostas pela Justiça eleitoral para limitar o corpo a corpo com eleitores, a fim de evitar aglomerações e seus riscos de propagação da Covid-19.

São Paulo

Maior colégio eleitoral do País, com mais de 8,9 milhões de votantes, a cidade de São Paulo é uma das 13 capitais em que o prefeito, o tucano Bruno Covas, tentará a reeleição.

Um aspecto pessoal se sobressai na disputa na capital paulista. Covas, neto do ex-governador paulista Mário Covas (1930-2001), vai para a batalha após um tratamento de câncer. Ele tem a missão de manter a hegemonia do PSDB no estado de São Paulo, governado por João Dória, que tem pretensões de uma candidatura presidencial em 2022.

As atenções se voltam para os principais opositores de Covas. Celso Russomanno (Republicanos) tenta, de novo, chegar ao Palácio do Anhangabaú apostando na sua popularidade como repórter de TV e na força do voto conservador, em especial dos evangélicos da Igreja Universal. 

O apoio de Jair Bolsonaro a Russomanno é apontado como outro trunfo dele, já que o presidente tem interesse de enfraquecer Doria e os tucanos, de olho na campanha presidencial à reeleição de 2022.

Ex-líder do Governo Bolsonaro no Congresso e desafeto dos filhos do presidente, Joice Hasselmann (PSL), é outra jornalista de formação no páreo.

Ela, que escreveu a biografia do ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, viveu uma recente mudança ideológica, que passou de uma ferrenha defensora do bolsonarismo a uma crítica implacável do Governo Federal, embora ainda se defina como uma apoiadora das causas conservadoras.

No campo progressista, o destaque paulistano é o isolamento do PT seguido pelo avanço do Psol, que reúne dissidentes do PT. Guilherme Boulos (Psol), que foi candidato à Presidência em 2018, tem empolgado artistas e intelectuais historicamente ligados ao PT, em detrimento do candidato petista Jilmar Tatto.

Rio de Janeiro

Segundo maior colégio eleitoral do País, com mais de 4,8 milhões de votantes, a cidade do Rio de Janeiro também tem um prefeito buscando mais quatro anos de gestão.

A situação do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) é bem diferente do seu colega paulistano, Bruno Covas. O pastor sofre ameaça de impeachment. Amanhã, a Câmara deve analisar um pedido de abertura de processo de afastamento contra ele, que tem o nome, nas últimas semanas, envolvido em escândalos.

Apontado como principal rival de Crivella, o candidato do Democratas (DEM), o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, também sofre pressão. No último dia 8, o Ministério Público Eleitoral acusa o ex-prefeito do Rio de receber R$ 10,8 milhões em vantagens indevidas da Odebrecht via Caixa 2.

A exemplo de São Paulo, o Rio também não conseguiu unir as principais forças de esquerda. O Psol oficializou a candidatura da deputada estadual e jornalista Renata Souza, que foi chefe de gabinete da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. Já o PT aposta no nome da deputada federal Benedita da Silva, que foi governadora do Estado e ministra no Governo Lula.

Recife

Terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste, atrás de Fortaleza e Salvador, Recife é uma das 13 capitais em que o atual prefeito, Geraldo Julio (PSB), termina o segundo mandato, e o seu grupo político, que governa Pernambuco, tenta fazer o sucessor. 

João Campos, filho do ex-governador Eduardo Campos (1965-2014), conseguiu formar uma ampla aliança, que inclui o PDT indicando a vice Isabella de Roldão, além de siglas do Centrão.

Na capital pernambucana, a representatividade feminina terá a petista Marília Arraes, neta do cearense Miguel Arraes, e a delegada Patrícia Domingos (Podemos). O Psol anunciou apoio a Marília e indicou o vice da chapa, João Arnaldo Novaes Júnior, ex-superintendente do Ibama. 

O ex-ministro da Educação Mendonça Filho, 54, é a aposta do DEM, enquanto o voto conservador é cobiçado pelo candidato do PSC, o deputado estadual Alberto Feitosa, que é coronel da Polícia Militar.

Salvador

Em Salvador, quarto maior colégio eleitoral do País, com mais de 1,8 milhão de votantes, o prefeito ACM Neto (DEM) termina o segundo mandato com o esforço para eleger seu vice-prefeito, Bruno Reis, também de sua sigla. O PDT indicou a candidata a vice na chapa, Ana Paula Matos.

Reis conta ainda com o apoio do PL, PSDB, Republicanos, MDB, PTB, PSL, DC, PSC, Solidariedade, Cidadania, Patriota, PMN e PV. 

Já o PT, que governa a Bahia com Rui Costa, tentará desbancar o DEM com a major da PM Denice Santiago. Na capital baiana, houve um acordo de última hora no campo progressista. O PSB desistiu da candidatura da deputada Lídice da Mata para apoiar o PT.

Entre os conservadores, o Pastor Sargento Isidório se destaca. Famoso por polêmicas, já disse, por exemplo, ser um “ex-gay” e “ex-drogado”.

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