Lá na frente todos votarão em mim, diz Bolsonaro ao indicar disputa pela reeleição

O presidente fez um giro do interior paulista nesta quinta-feira (20) e, no Estado, participou da Marcha para Jesus

Legenda: Bolsonaro com o apóstolo Valdemiro Santiago, da Mundial do Poder de Deus, na Marcha para Jesus
Foto: Foto: Presidência da República

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) sinalizou sua candidatura à reeleição em discurso de improviso na manhã desta quinta-feira (20) em Eldorado, cidade onde foi criado, no interior de São Paulo. Ele fez um giro pelo interior paulista e também participou da Marcha para Jesus, na zona norte de São Paulo.

"Meu muito obrigado a quem votou e a quem não votou em mim também. Lá na frente todos votarão, tenho certeza disso", disse o presidente, em discurso no qual estava cercado por moradores.

Em entrevista à revista Veja, publicada no final de maio, Bolsonaro já havia admitido disputar mais um mandato em 2022. A condição para isso não ocorrer seria a aprovação de uma ampla reforma política, o que não está no horizonte do Congresso.

"Se a gente fizer uma boa reforma política eu topo ir para o sacrifício e não disputar a reeleição. Porque um dos grandes problemas do Brasil na política é a reeleição. O cara chega ao final do primeiro mandato dele, ou ele quer continuar no poder, que lhe deu fama e prestígio, ou ele quer continuar porque se o outro, o adversário, assumir vai levantar os esqueletos que ele tem no armário. Existe isso no Brasil." 

"Então o meu caso é o seguinte: com uma boa reforma política, que diminuiria o número de parlamentares de 500 para 400, entre outras coisas mais, eu toparia entrar nesse bolo aí de não disputar a eleição."

Já na Marcha para Jesus, recebido aos gritos de "mito", com escassas vaias, Bolsonaro conclamou a população de pé a ser o "ponto de inflexão para o Brasil ser um dia colocado no lugar de destaque que merece", depois de dizer ser de comum conhecimento que o país "tem um problema seríssimo de moral, ética e economia".

"Foi Ele quem nos deu a Presidência", disse nesta quinta-feira de Corpus Christi. Ali estava, enfim, o presidente "de um Estado que é laico, mas ele é cristão".

O presidente foi o primeiro ocupante do Palácio do Planalto a passar neste que é o maior evento evangélico do Brasil, a Marcha para Jesus, idealizado em 1993 pela igreja de Hernandes, a Renascer em Cristo.

O evento serviu para Bolsonaro renovar seu pacto com os evangélicos, segmento que lhe apoiou em peso na eleição. O presidente, um católico com esposa e filhos evangélicos, investiu na ideia de que ele e o público eram um só.

Afirmou ainda que os evangélicos "foram decisivos para mudar o País" e que, se era Deus acima de todos, logo depois vinha "a família respeitada e tradicional acima de tudo".

Aos milhares de participantes, Bolsonaro agradeceu a Deus por estar vivo, numa referência à tentativa de assassinato no ano passado em Juiz de Fora (MG).
Disse ainda estar cumprindo as promessas de campanha e que a população e a classe política precisam acreditar que podem fazer a diferença para a melhoria do país.

Moro no Senado

Mais cedo, o presidente também deu nota dez ao ministro Sergio Moro (Justiça) pelo desempenho dele, um dia antes, em depoimento no Senado para explicar a troca de mensagens vazadas suas com o procurador Deltan Dallagnol, chefe da Operação Lava Jato.

Na audiência, ao longo de nove horas, Moro admitiu a possibilidade de deixar o posto no governo caso sejam apontadas irregularidades em sua conduta.
"[Nota] dez pro Moro. Subiu no meu conceito. Apesar que ele não poderia crescer mais do que já cresceu", disse o presidente, em Miracatu, interior de São Paulo.

Questionado se a situação atual comprometia a indicação de Moro para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro respondeu: "Quando você desconfia do seu marido, o que você faz com ele? Eu não estou desconfiado de ninguém."

Na sessão no Senado, Moro travou embates com senadores petistas e afirmou ainda ser alvo de um ataque hacker que mira as instituições e que tem como objetivo anular condenações por corrupção.

O ministro se ofereceu para ir à CCJ para esfriar o trabalho de coleta de assinaturas para a criação de uma CPI para investigá-lo. Ao iniciar sua fala, disse não ter nada a esconder, que gostaria de fazer esclarecimentos "em cima do sensacionalismo que tem sido criado" e focou a defesa da Lava Jato.


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