Ex-ministros da Saúde, Mandetta e Teich serão os primeiros convocados pela CPI da Covid

A comissão definiu que o ex-ministro da pasta Eduardo Pazuello e o atual, Marcelo Queiroga também serão ouvidos

Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich
Legenda: Os dois ocuparam o cargo de ministro da Saúde durante a pandemia da Covid-19
Foto: Agência Brasil

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid aprovou, durante a reunião desta quinta-feira (29), a convocação do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e dos ex-ministros da pasta no governo Jair Bolsonaro: Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello.

Na quarta-feira (28), Queiroga já havia falado sobre a possibilidade de convocação e afirmou que discutirá "abertamente" suas ações e prestará as informações solicitadas pelos senadores. A maior preocupação do ministro é com "CTI", uma provável referência à sigla para Centro de Terapia Intensiva.

"A minha preocupação imediata é com CTI. A CPI é atribuição do parlamento, se eles me convocarem eu vou lá, e vou discutir abertamente o que eu tenho feito no Ministério da Saúde. Vocês todos estão vendo", destacou em pronunciamento no Palácio do Planalto.

Além dos ex-ministros, os senadores também aprovaram a convocação do diretor-presidente da  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres.

Cronograma

Na sessão os parlamentares definiram o seguinte calendário

  • Mandetta e Teich devem prestar depoimento na próxima terça-feira (4);
  • Eduardo Pazuello será ouvido na quarta-feira (5);
  • Marcelo Queiroga e Barra Torres serão ouvidos na quinta-feira (6).

O cronograma de convocações foi definido pelo relator da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL). 

Wajngarten

Outro nome sugeridos por Renan Calheiros para ser ouvido na CPI é o do ex-secretário especial de Comunicação Social da Presidência da República, Fabio Wajngarten. No entanto, por falta de acordo entre os parlamentares, o requerimento não foi apreciado nesta quinta-feira. A previsão é que ela seja votado na próxima terça-feira (4). 

O interesse da comissão em ouvir o ex-secretário do governo federal é baseado na entrevista que ele concedeu à revista Veja, na qual disse que houve “incompetência” do Ministério da Saúde durante as negociações para a compra de vacinas contra a Covid-19 desenvolvidas pela Pfizer, oferecidas ao governo brasileiro em agosto de 2020. Oferta que foi recusada. 

Requerimentos 

O sistema do Senado indicava que 288 requerimentos foram apresentados pelos parlamentares até o início da manhã desta quinta-feira. Ao longo da reunião, porém, mais de 300 já estavam inseridos no sistema. 

Conforme a Agência Senado, o senador da base governista, Ciro Nogueira (PP-PI), pediu durante a reunião que as sugestões de convocação da oposição e do governo sejam aprovadas e ouvidas de forma alternada. Mas o relator, Renan Calheiros, afirmou que não haverá acordo nesse sentido.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), falou em sistematizar os pedidos, muitos deles “repetidos”, e disse que o colegiado vai ouvir todos com transparência e de forma “técnica”. 

Diferentemente do que pediam senadores da base governista, as reuniões serão semipresenciais. Marcos Rogério (DEM-RO) defendeu que todas as sessões da CPI sejam obrigatoriamente presenciais, mas o pedido foi rejeitado. 

"É possível, com toda a tecnologia, fazermos acareações, audiências públicas, reuniões secretas, tudo o que a gente precisar. A tecnologia nos permite isso", rebateu Rogério Carvalho (PT-SE), que completou afirmando que o pedido seria uma tentativa de dificultar o trabalho da comissão.

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