Deputados cearenses esperam mais diálogo com o novo titular do MEC e cobram prioridade ao Fundeb

Alguns parlamentares da bancada federal do Ceará fazem avaliação positiva da escolha de Carlos Decotelli para a Pasta. Expectativa é de reorganização do setor após exonerações dos antecessores, Abraham Weintraub e Ricardo Vélez

Legenda: O Ministério da Educação é responsável pelo repasse dos valores do Fundeb, que precisa ser renovado neste ano ou será extinto
Foto: Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A nomeação do novo ministro da Educação pelo Governo Federal, Carlos Decotelli, traz expectativas de mudanças à Pasta, na avaliação de parlamentares da bancada federal cearense. Após o anúncio do nome para o posto pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na quinta-feira (25), deputados federais do Estado esperam que o titular possa ampliar diálogo com a área da Educação e priorizar pautas de interesse do Ceará, como a discussão sobre a continuidade do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Parlamentares entrevistados pelo Diário do Nordeste externaram panorama positivo com o ex-chefe do Fundo Desenvolvimento da Educação (FNDE). O principal ponto de aprovação, para alguns, é a maior experiência na área, quesito distinto de Abraham Weintraub e Ricardo Vélez - antecessores de Decotelli e exonerados ao longo da atual gestão presidencial.

O deputado Idilvan Alencar (PDT), membro titular da Comissão de Educação na Câmara, relembra uma visita do novo ministro ao Ceará em 2019 para ressaltar a importância concedida à região. Para ele, o encontro, organizado junto da vice-governadora Izolda Cela (PDT), seria um indicativo de disposição ao diálogo.

“Na Educação, é fundamental dialogar, conversar, e o MEC morre de medo do diálogo. Para nós, da Comissão de Educação, é difícil conseguir uma reunião. Com o novo ministro, eu, a deputada Dorinha (DEM-TO, relatora da proposta do novo Fundeb que tramita na Câmara dos Deputados), já temos até data de encontro. O contato foi muito bom. O Ceará tem essa disposição para Educação. Ele veio aqui conhecer nosso modelo”, diz.

Financiamento

Idilvan acredita em uma mudança de foco da Pasta, com uso de mais recursos na Educação. “A pauta principal é o financiamento da Educação, porque o Fundeb está acabando. Temos pouco tempo e estamos perdendo muita receita. Vamos ter de investir em reforma, comprar EPI’s e computadores. O outro ministro (Weintraub) defendia corte na Pasta”, aponta. "Defender a Educação Pública e aprovar o novo Fundeb urgentemente" também são prioridades apontadas pelo líder da Minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT).

Já o deputado federal Heitor Freire (PSL), mais próximo do Governo Bolsonaro, cita o quesito técnico de Decotelli como elemento positivo da escolha e cobra cuidado com o retorno do ensino presencial no País em meio à pandemia de Covid-19. “Creio que a prioridade, agora, é estruturar o retorno às aulas presenciais após a pandemia de coronavírus, observando, contudo, que esse período de quarentena nos lembrou que a primazia da educação é da família”, encerra.

UFC em foco

A expansão da Universidade Federal do Ceará (UFC) é uma pauta que um outro deputado do Ceará quer levar ao novo ministro da Educação. Como sete campi, sendo três na Capital e os demais em Sobral, Quixadá, Crateús e Russas, o deputado Danilo Forte (PSDB), no exercício do mandato durante licença de Roberto Pessoa (PSDB), espera conseguir flexibilização nos trâmites para a viabilização de uma nova sede da instituição.

“É importante ter equidade com investimento, o Brasil é muito grande. Eu mesmo já me disponho a esse diálogo e tenho como pauta a UFC em Itapajé, que está ficando pronta, mas precisa da definição do cronograma de aulas. Já estou na fila para buscar esse contato com o ministro, pois é um campus que vai atender muitos municípios”, afirma.

Para além da perspectiva estrutural, há preocupação com a condução ideológica de políticas voltadas ao ensino superior. Para o deputado federal Eduardo Bismarck (PDT), uma tensão foi instaurada nas instituições através dos responsáveis anteriores pela Pasta.

"O sentimento com os outros (ministros) é que tinha uma dificuldade com os que estão em campo ideológico diferente. Ele (Weintraub) não olhava a Educação, não abria espaço para a bancada. Quando se tem um técnico, se torna diferente da decisão política. Educação tem que ter continuidade, o próprio (Decotelli) falou”, declara.

Decotteli, porém, se viu envolvido em uma polêmica após assumir o posto, após o reitor da Universidade Nacional de Rosário (Argentina), Franco Bartolacci, ter desmentido que o novo ministro tem título de doutor pela instituição. A informação havia sido divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro ao anunciá-lo para o cargo. 

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