Com deputados candidatos, pleito municipal mexe com Legislativo

Estão confirmadas as candidaturas de 18 deputados, além de suplentes, aos cargos de prefeito e vice. Em Fortaleza, sete dos dez 'cabeças de chapas' vêm do Parlamento. Os trabalhos legislativos podem ficar em segundo plano

Legenda: Nos bastidores da Assembleia, alguns deputados admitem que as sessões tentem a ficar em segundo plano na campanha
Foto: José Leomar

Nas eleições deste ano, 18 parlamentares cearenses titulares, entre deputados estaduais e federais, estão na disputa pelos cargos de prefeito ou de vice-prefeito. Parentes deles também estão na corrida eleitoral e, como todo ano que tem pleito, o foco se volta para as eleições municipais. Alguns deputados reconhecem o provável prejuízo ao trabalho legislativo, enquanto outros defendem que ferramentas tecnológicas facilitarão os trabalhos na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados para conciliar as agendas das campanhas.

O cenário desde já, porém, evidencia uma tendência de esvaziamento no Poder Legislativo. Na sessão da última quinta-feira (17), na Assembleia Legislativa, muitos deputados faltaram. Dos 46 parlamentares, pouco mais de 20 marcavam presença no painel e, no plenário, eram poucos os que estavam.

Embates

Eles têm a opção de participar virtualmente tanto das sessões como das reuniões das comissões, mas as intervenções pela plataforma online já são poucas. Nos bastidores, parlamentares não escondem que os debates podem ficar mais dispersos, exceto quando os ânimos entre deputados que são adversários políticos no interior se acirrarem. No período eleitoral, a tribuna costuma ser usada para esquentar disputas "paroquiais".

Somente na Assembleia, 13 deputados são candidatos a prefeito ou vice: Agenor Neto (MDB) e Marcos Sobreira (PDT) vão disputar a Prefeitura de Iguatu; Bruno Gonçalves (PL), a Prefeitura de Aquiraz; Elmano de Freitas (PT) e Vitor Valim (Pros), a Prefeitura de Caucaia; Renato Roseno (Psol), Heitor Férrer (SD) e Sarto Nogueira (PDT), a Prefeitura de Fortaleza; Walter Cavalcante (MDB), a vice-prefeitura de Fortaleza; e Júlio César Filho (Cidadania), a Prefeitura de Maracanaú.

Além destes, Nelinho (PSDB) vai concorrer à Prefeitura de Juazeiro do Norte; Patrícia Aguiar (PSD), à Prefeitura de Tauá; e Nezinho Farias (PDT), à Prefeitura de Horizonte.

O clima é tenso entre alguns deputados, que são da mesma base aliada do governador Camilo Santana (PT), mas adversários no interior. Um caso clássico é o de Tauá, na Região dos Inhamuns. Lá, vai ser o grupo de Patrícia Aguiar rivalizando com o grupo do deputado Audic Mota (PSB), que lançou o irmão Dr. Edyr (PP) para concorrer ao Executivo.

Iguatu também vai ser palco de nova disputa entre governistas. De um lado, Agenor Neto, ex-prefeito por dois mandatos, e do outro, Marcos Sobreira, ex-vice-prefeito. Em outros municípios, os embates também serão acirrados entre deputados adversários.

Parentes

Já na Câmara, os deputados federais candidatos a prefeito são Capitão Wagner (Pros), Luizianne Lins (PT), Heitor Freire (PSL) e Célio Studart (PV), em Fortaleza, e Roberto Pessoa (PSDB), em Maracanaú. Além dos parlamentares titulares, cuja maioria se licenciou das atividades, alguns suplentes que assumiram vaga vão concorrer também: Deuzinho Filho (Republicanos) é candidato a vice de Vitor Valim, e Tadeu Oliveira (PSB), candidato a vice do deputado Júlio César Filho.

Mesmo os deputados que não são candidatos têm parentes na disputa que vão exigir engajamento na campanha. Em Quixadá, por exemplo, o candidato a vice do prefeito, Ilário Marques (PT), que vai disputar a reeleição é Pedro Baquit, sobrinho do deputado Osmar Baquit (PDT).

Em Granja, a candidata a prefeita Juliana Aldigueri (PDT) é esposa do deputado estadual Romeu Aldigueri (PDT). Em Caucaia, o atual prefeito que vai buscar a reeleição, Naumi Amorim (PSD), é esposo da deputada Érika Amorim (PSD).

Já a eleição em Parambu envolve diretamente a deputada estadual Aderlânia Noronha e o marido, deputado federal Genecias Noronha, ambos do Solidariedade. O candidato a prefeito Rômulo Noronha (SD) é sobrinho de Genecias e irmão da ex-prefeita Keylly Noronha. A candidata a vice na chapa, Patrícia Feitosa, é cunhada de Aderlânia.

Outros municípios

Em Nova Russas, os laços com deputados se cruzam também. Uma das candidatas ao Executivo, Giordanna Mano (PL), é esposa do deputado federal Júnior Mano (PL). O candidato a vice, Anderson Pedrosa (PMN), é primo do deputado estadual Bruno Pedrosa (PP). Há rusgas familiares, mas os dois vão estar aliados.

Em Graça, o prefeito Augusto Brito (PCdoB), candidato à reeleição, é pai da deputada estadual Augusta Brito (PCdoB). Em Brejo Santo, uma das candidatas à Prefeitura, Gislaine Landim, é mãe do deputado estadual Guilherme Landim (PDT). Em Tamboril, o sobrinho do deputado estadual Jeová Mota (PDT), Marcelo Mota (PDT), também está na disputa.

Em Cariús, Mara Dalila (PSB), esposa do deputado estadual Nizo Costa (PSB), é candidata a vice-prefeita. Em Solonópole, a cunhada do deputado estadual Leonardo Pinheiro (PP), Júlia Pinheiro (PP), concorre à Prefeitura.

Na bancada federal cearense, o engajamento de outros deputados federais na campanha também deve ser intenso. A irmã do deputado federal Antônio José (PP), Aline Albuquerque (PP), é candidata a prefeita em Massapê. Em Aracati, o prefeito Bismarck Maia (PTB), que vai tentar a reeleição, é pai do deputado federal Eduardo Bismarck (PDT). Em Acaraú, a candidata a prefeita, Ana Flávia Monteiro (PSB), é esposa do deputado federal Robério Monteiro (PDT).

O filho do deputado federal Mauro Filho (PDT), Davi Benevides (PDT), por sua vez, é candidato à reeleição em Redenção. Já a mãe do deputado federal Domingos Neto (PSD), a deputada Patrícia Aguiar, é uma das postulantes à Prefeitura de Tauá. Em Sobral, é o pai do deputado federal Moses Rodrigues (MDB), o empresário Oscar Rodrigues (MDB), é candidato a prefeito.

Presença

Além dos que estão diretamente envolvidos na disputa, os deputados como um todo se engajam na campanha para eleger aliados nos municípios, de olho na reeleição deles em 2022. O desafio, porém, é conciliar a agenda eleitoral com a produção legislativa. O deputado estadual Antônio Granja (PDT) avalia que as sessões devem ser impactadas a partir de novembro.

"Estou no meu sexto mandato de deputado e tenho acompanhado isso aí. Acho que vamos ter sessão agora, neste mês de setembro, até outubro vai continuar sendo próximo da normalidade, vai funcionar. A partir da primeira quinzena de novembro, não vai. Mas às quintas eu vou estar presente", afirma. O primeiro turno do pleito deste ano está marcado para o dia 15 de novembro.

Outros deputados acreditam que a possibilidade de participação virtual nas sessões deve ser uma alternativa ao provável esvaziamento.

Desde a retomada das atividades presenciais da Casa, ainda no fim de julho, os trabalhos em plenário acontecem em formato híbrido. "Quando estavam sendo pela plataforma (online), o quórum era de 36, 37 (deputados), porque estavam em casa, não saíam. Acredito que se forem na plataforma, dará um quórum alto", afirma Osmar Baquit.

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