Candidatos de Fortaleza finalizam alianças para o segundo turno

Somente hoje, as direções do PT e o Psol realizam reunião para definir se irão entrar na campanha do segundo turno. Solidariedade, de Heitor Férrer, deve manter neutralidade, enquanto PCdoB já anunciou apoio a Sarto Nogueira

Com o início da batalha do segundo turno da eleição municipal em Fortaleza, intensificaram-se as articulações políticas a fim de fortalecer as alianças dos dois candidatos que continuam na disputa. Sem ter acenado diretamente para Luizianne Lins (PT) no primeiro turno, sua correligionária, o governador Camilo Santana (PT) demonstrou, ontem, de que lado estará no pleito de 29 novembro: o de Sarto Nogueira (PDT).

Enquanto isso, Capitão Wagner (Pros), candidato da oposição, tem buscado conversar com todos os postulantes derrotados em busca de ampliar sua coligação. Para ele, no entanto, ainda não houve nenhum aceno novo.

Legenda: De acordo com Sarto, as alianças à sua candidatura devem ser anunciadas em breve
Foto: Natinho Rodrigues

Apesar do apoio declarado publicamente pelo chefe do Executivo estadual, o PT deve bater o martelo sobre o posicionamento da legenda no segundo turno apenas hoje. A executiva petista irá se reunir para tratar do assunto às 10h. Parte dos correligionários da agremiação defende a aliança, mas, por conta das divergências de Luizianne com o grupo dos Ferreira Gomes, padrinhos políticos de Sarto, o "tom" do engajamento precisa ser definido. O único consenso até agora é que a sigla deve atuar para derrotar Capitão Wagner - que tem o apoio do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Em 2016, o PT não apoiou a reeleição do prefeito Roberto Cláudio (PDT) no segundo turno. Agora, a tônica da legenda que ficou com a candidatura na terceira colocação em Fortaleza pode ser outra. Como não há mais chapa petista na disputa na Capital, o governador está liberado para entrar na campanha de Sarto. Ontem, Camilo "conclamou" partidos e candidatos derrotados para integrar o arco de alianças da chapa pedetista.

"Eu tenho a certeza e a garantia de que o Sarto representa o melhor para Fortaleza, e o meu desejo era conclamar a todos que querem o bem de Fortaleza, a todos os candidatos que fizeram parte do primeiro turno, a todos os partidos a se somarem à candidatura do Sarto no segundo turno", ressaltou.

Legenda: Capitão Wagner também já começou a ligar para candidatos derrotados, mas projeta que algumas siglas não se posicionarão
Foto: Natinho Rodrigues

Na ocasião, ele ainda elevou o tom contra Capitão Wagner, sinalizando como devem ser os embates nesta nova fase de campanha. No mesmo dia, o recém-eleito prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PSDB), e agora membro da articulação política de Capitão Wagner, retrucou a declaração do governador.

"Camilo Santana foi muito malvado com o PT. Entregou Luizianne Lins ao ataque do candidato dos Ferreira Gomes, José Sarto, e traiu a confiança do PT em Caucaia, pedindo voto para Naumi, jogando uma pá de cal na candidatura de Elmano", disse.

Outros partidos

Ainda ontem, por meio de nota à imprensa, o PCdoB declarou apoio às candidaturas de Sarto Nogueira (PDT), em Fortaleza, e de Naumi Amorim (PSD), em Caucaia. Além disso, a nota "conclama a todos a não cerrarem fileiras para derrotarmos Bolsonaro e seus candidatos nas duas maiores cidades do Ceará. Todo apoio a Sarto em Fortaleza e Naumi em Caucaia". A direção estadual do Psol também deve se reunir, nesta terça (17), para decidir sobre posição no 2º turno em Fortaleza.

O ex-candidato à Prefeitura da Capital pelo partido, Renato Roseno, disse que o sentimento da sigla é derrotar o "bolsonarismo" e, se for formalizado o apoio ao candidato Sarto, não será uma aliança programática: "vamos fazer oposição".

O ex-candidato do PSL à Prefeitura de Fortaleza, Heitor Freire, também ainda não se posicionou. Ele é sondado tanto por Sarto como por Wagner. O deputado estadual Heitor Ferrer (Solidariedade), quarto colocado na disputa, afirmou que não irá apoiar Sarto nem Wagner no segundo turno, em nota publicada nas redes sociais.

"Meu eleitor caracteriza-se por sua independência e seu discernimento. Ele segue sua consciência e seu juízo de valores", escreveu Férrer.

Célio Studart (PV), Paula Colares (UP), Samuel Braga (Patriota) e José Loureto (PCO) ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

Busca por alianças

Ontem, tanto Wagner como Sarto afirmaram já ter começado a conversar com os candidatos derrotados em busca de aliança. Wagner projeta que alguns postulantes devem se posicionar de forma neutra, sem declarar apoio a ele ou ao seu adversário.

"Aqueles que têm uma expressão maior de voto demonstram uma certa neutralidade. O Heitor Férrer já demonstrou essa neutralidade, acredito que a Luizianne vai demonstrar essa neutralidade. Acredito que o desafio vai ser conquistar os eleitores de todos esses candidatos".

Para o concorrente do Pros, a igualdade no tempo de propaganda no rádio e na TV no segundo turno deve lhe ajudar a se sobressair. "A gente começou a campanha com a pesquisa apontando entre 33% e 35% dos votos. A gente terminou com 33% e alguma coisa. Então, a gente manteve um voto bem fiel na campanha, apesar de tanta pancada, de tanta calúnia e difamação na propaganda de rádio e TV. Nosso tempo era muito curto e acredito que agora, com um tempo igual, a gente vai mostrar a verdade para cidade, mostrar o nosso programa, que é o melhor indiscutivelmente", reforçou.

Já Sarto diz que as definições sobre a ampliação do seu arco de alianças devem sair nos próximos dias."Comecei a fazer alguns contatos com todos os candidatos que não tiveram êxito nesse primeiro momento. Cada partido tem suas instâncias para definir formalmente a posição. A maioria dessas reuniões está ocorrendo e creio que já, já a gente terá notícias em relação a ampliar o arco de aliança", ressaltou.

Sobre estratégias para os próximos dias, ele afirma que não vai "ceder a ataques pessoais". "Eu não vou cair nessa cilada de fazer um debate no campo pessoal, meu debate será na linha de apresentar projetos, comparar propostas, trajetórias", concluiu.

Caucaia

Em Caucaia, Naumi Amorim (PSD) e Vitor Valim (Pros) já iniciaram as articulações com candidatos derrotados. O apoio da ex-candidata a vice-prefeita de Caucaia, Natécia Campos (PP), é cobiçado por Vitor Valim (Pros), no 2º turno da disputa. Ela foi a vereadora mais votada em 2016. A ex-candidata à Prefeitura, Emília Pessoa (PSDB), é sondada por Valim e pelo prefeito Naumi Amorim (PSD). Lá, o governador também deve anunciar apoio publicamente a Naumi Amorim.

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