Bolsonaro diz na ONU que Brasil é vítima de campanha de desinformação internacional sobre queimadas

Presidente brasileiro abriu trabalhos na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU)

Legenda: Bolsonaro discursa na ONU
Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discursou, nesta terça-feira, 22, na 75ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O encontro foi virtual – pela primeira vez na história –, devido à pandemia do coronavírus. O vídeo do brasileiro foi gravado e exibido às nações. Bolsonaro afirmou que o  Brasil é vítima de uma conspiração internacional que promove a desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. E ressaltou a atuação do Governo Federal no combate à Covid-19.

Queimadas na Amazônia e no Pantanal

"Somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha, escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o Governo e o próprio Brasil", disse o presidente.

Para ele, o interesse em promover a desinformação se dá porque o Brasil é líder em conservação de florestas tropicais e desponta como um dos maiores produtores de alimentos do mundo. "Temos a matriz energética mais limpa e diversificada do mundo. Mesmo sendo uma das dez maiores economias do mundo, somos responsáveis por apenas 3% da emissão de carbono. Garantimos segurança alimentar a um sexto da população mundial, mesmo preservando 66% de nossa vegetação nativa e usando apenas 27% do nosso território para a pecuária e a agricultura", listou.

Bolsonaro afirmou que pretende manter a política de "tolerância zero" a crimes ambientais. "Os incêndios acontecem praticamente nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas. Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação", completou.

"O nosso Pantanal, com área maior que muitos países europeus, assim como a Califórnia, sofre dos mesmos problemas. As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição", disse o presidente.

Tradicionalmente, os líderes brasileiros abrem as Assembleias Gerais desde 1949. É a segunda vez que Bolsonaro discursa na ONU. Ainda falam nesta terça-feira: Donald Trump, dos Estados Unidos, Tayyip Erdogan, da Turquia, Xi Jinping, da China, e Sebastián Piñera, do Chile.

Nacionalismo e populismo 

Antes de iniciar o discurso dos representantes das nações, o secretário-geral da ONU, António Guterres, deu início aos trabalhos. “Devemos estar unidos. Vimos que quando os países vão em sua própria direção, o vírus vai em todas as direções... O populismo e o nacionalismo falharam. Essas abordagens para conter o vírus muitas vezes tornaram as coisas piores", disse. Ele também ressaltou a importância da cooperação internacional para que o acesso a uma eventual vacina chegue a todos os países.  

Pandemia

Sobre a pandemia da Covid-19, o  presidente brasileiro lamentou as mortes ocorridas devido à doença e reforçou que sempre encarou a pandemia em duas frentes: uma crise sanitária e outra econômica. "E que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade", ressaltou. 

"Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada um dos 27 governadores das unidades da Federação. Ao presidente, coube o envio de recursos e meios a todo o País", disse.

Bolsonaro também criticou a imprensa brasileira e mundial por "politizar o vírus e disseminar o pânico entre a população". "Sob o lema 'fique em casa' e 'a economia a gente vê depois', quase trouxeram o caos social ao país", apontou. Ele destacou a implementação do auxílio emergencial e a destinação de aproximadamente US$ 100 bilhões em ações de saúde e socorro a pequenas e microempresas.

"Estimulamos, ouvindo profissionais de saúde, o tratamento precoce da doença. Destinamos US$ 400 milhões para pesquisa, desenvolvimento e produção da vacina de Oxford no Brasil. Não faltaram, nos hospitais, os meios para atender aos pacientes da Covid", finalizou. 

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