Bolsonaro compartilha vídeo que critica Mandetta e Doria e ataca isolamento

As recomendações de isolamento são o principal impasse entre Bolsonaro e Mandetta, que está com o cargo ameaçado desde a semana passada

O presidente Jair Bolsonaro compartilhou nesta quarta-feira, 15, nas redes sociais, vídeo com ataques a medidas de isolamento social adotadas no combate à pandemia da Covid-19. Bolsonaro destacou o título do vídeo "Os sócios da paralisia", publicado originalmente pelo jornalista Guilherme Fiuza, em que é apresentada uma série de críticas ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

No vídeo, Fiuza cita um "show mórbido" e destaca que não existem "mapas" comprovando o efeito mitigador do distanciamento social na prevenção ao novo coronavírus. "Você está em casa assistindo o governador de São Paulo assumir a paternidade da cloroquina, o ministro da Saúde explicar que traficante também é gente, jornais estrangeiros publicar fotos de covas abertas para dizer que o Brasil não tem mais onde enterrar seus mortos, entre outras referências intrigantes e estridentes sobre o assunto. Se você está paralisado e catatônico é porque já sabe que isso é um show mórbido", afirma Fiuza no início do vídeo.

A referência a Mandetta é uma declaração do ministro, na semana passada, de que para proteger a população que vive em favelas dominadas por criminosas será preciso dialogar. "Como se entra no morro em guerra para retirar uma senhora com sintomas? Saúde não é polícia", disse Mandetta ao Estado na semana passada.

No vídeo compartilhado por Bolsonaro, o jornalista cita ainda os impactos econômicos do isolamento, com o fechamento de pequenas empresas e previsão de queda 4% no Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil.

Legenda: "Por enquanto mantenham as recomendações dos estados, porque nesse momento é a medida mais recomendável", disse Mandetta.
Foto: Reprodução

Impasse

As recomendações de isolamento são o principal impasse entre Bolsonaro e Mandetta, que está com o cargo ameaçado desde a semana passada. O presidente defende a retomada das atividades econômicas acompanhada de um isolamento seletivo, voltado apenas para grupos de risco. 

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, avisou sua equipe na noite desta terça-feira (14) que Jair Bolsonaro já procura um nome para o seu lugar e que deve ser demitido ainda nesta semana.

Ele conversou com integrantes da pasta em clima de despedida após a entrevista coletiva da qual participou no Palácio do Planalto.

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