Por que Luizianne Lins entrou com força na disputa pelo Senado no Ceará
Aliados de Elmano consideram que uma dobradinha dela com Cid Gomes aumentaria as chances de vitória
A pré-candidatura de Luizianne Lins (Rede) ao Senado deixou de ser apenas especulação e entrou no centro das discussões da base governista na reta final das articulações para a montagem da chapa.
Naturalmente, não é por acaso. Há, ao menos, cinco razões que explicam por que seu nome ganhou força.
O flanco da Capital
O peso da direita sinaliza que a oposição chega forte à disputa pelo Senado, com prognóstico real de eleger ao menos um dos dois senadores cearenses.
O governismo precisa reforçar justamente onde é mais vulnerável: Fortaleza. Ex-prefeita da Capital e identificada com o campo de esquerda, Luizianne pode agregar valor exatamente nesse território.
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A dobradinha com Cid
É a tese que mais anima os aliados. Cid Gomes (PSB) e Luizianne na mesma chapa representam um peso avaliado, no centro-esquerda, como decisivo: o senador com forte influência no interior, a ex-prefeita com desenvoltura na Capital.
A aposta é que essa combinação daria ao governismo chance real de eleger os dois senadores. Os dois, aliás, vêm conversando sobre o assunto.
Luizianne já esteve, ao menos rapidament, com Camilo Santana, e marcaram de retomar a conversa nos próximos dias.
A recomposição com Elmano
A ex-prefeita é aliada histórica de Elmano de Freitas (PT), mas está afastada do governador desde que ele assumiu o cargo. O distanciamento é alimentado pelas divergências, em diversos momentos públicas, com o ex-ministro Camilo Santana, aliado de Elmano e responsável por sua chegada ao poder.
Contemplar a aliada afastada seria, para o governador, um gesto eleitoral com a chance de recompor a relação que o próprio projeto desgastou.
Representação feminina
As tratativas do governo avançaram em quase tudo, menos na representação feminina. Entre as quatro vagas em disputa, governo, vice e dois senadores, nenhuma contempla, até agora, uma mulher.
O grupo governista discute há semanas o objetivo de ter ao menos um nome feminino na composição. Luizianne resolve a equação sozinha.
Os empecilhos
Entretanto, há obstáculos. O primeiro é a aritmética da aliança. Elmano precisa contemplar aliados que já são muitos, entre eles o MDB de Eunício Oliveira e o PSD de Domingos Filho, ambos cotados para as vagas em jogo.
O segundo vem de dentro de casa. A federação Rede-PSOL, à qual Luizianne se filiou, quer a deputada na disputa pela Câmara Federal, onde fortaleceria a chapa proporcional.
Uma coisa é certa: Luizianne passou a ser um nome considerado para a composição.