Por que Luizianne Lins entrou com força na disputa pelo Senado no Ceará

Aliados de Elmano consideram que uma dobradinha dela com Cid Gomes aumentaria as chances de vitória

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
(Atualizado às 12:03)
Legenda: Cid e Luizianne mantém conversas apesar do histórico turbulento de alianças e rompimentos
Foto: Reprodução/Redes sociais

A pré-candidatura de Luizianne Lins (Rede) ao Senado deixou de ser apenas especulação e entrou no centro das discussões da base governista na reta final das articulações para a montagem da chapa.  

Naturalmente, não é por acaso. Há, ao menos, cinco razões que explicam por que seu nome ganhou força. 

O flanco da Capital 

O peso da direita sinaliza que a oposição chega forte à disputa pelo Senado, com prognóstico real de eleger ao menos um dos dois senadores cearenses.  

A dobradinha com Cid 

É a tese que mais anima os aliados. Cid Gomes (PSB) e Luizianne na mesma chapa representam um peso avaliado, no centro-esquerda, como decisivo: o senador com forte influência no interior, a ex-prefeita com desenvoltura na Capital.  

A aposta é que essa combinação daria ao governismo chance real de eleger os dois senadores. Os dois, aliás, vêm conversando sobre o assunto.  

Luizianne já esteve, ao menos rapidament, com Camilo Santana, e marcaram de retomar a conversa nos próximos dias. 

A recomposição com Elmano 

A ex-prefeita é aliada histórica de Elmano de Freitas (PT), mas está afastada do governador desde que ele assumiu o cargo. O distanciamento é alimentado pelas divergências, em diversos momentos públicas, com o ex-ministro Camilo Santana, aliado de Elmano e responsável por sua chegada ao poder.  

Contemplar a aliada afastada seria, para o governador, um gesto eleitoral com a chance de recompor a relação que o próprio projeto desgastou. 

Representação feminina

As tratativas do governo avançaram em quase tudo, menos na representação feminina. Entre as quatro vagas em disputa, governo, vice e dois senadores, nenhuma contempla, até agora, uma mulher.

O grupo governista discute há semanas o objetivo de ter ao menos um nome feminino na composição. Luizianne resolve a equação sozinha. 

Os empecilhos

Entretanto, há obstáculos. O primeiro é a aritmética da aliança. Elmano precisa contemplar aliados que já são muitos, entre eles o MDB de Eunício Oliveira e o PSD de Domingos Filho, ambos cotados para as vagas em jogo.

O segundo vem de dentro de casa. A federação Rede-PSOL, à qual Luizianne se filiou, quer a deputada na disputa pela Câmara Federal, onde fortaleceria a chapa proporcional.

Uma coisa é certa: Luizianne passou a ser um nome considerado para a composição.