Quem são os vereadores de Sobral presos em operação contra atuação de facção criminosa
Três parlamentares foram presos e um foi alvo de mandado de busca e apreensão
Os três vereadores de Sobral presos preventivamente na manhã desta terça-feira (11), no Município, são Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União Brasil) e Junim do Povo (Podemos). Os nomes foram confirmados a esta Coluna por fonte com acesso à investigação.
As autoridades investigam a suposta relação dos parlamentares com membros de facções criminosas envolvidos em crimes como interferência no processo eleitoral de 2024 e já na preparação do pleito deste ano.
Os três também tiveram os mandatos parlamentares suspensos pelo prazo inicial de 180 dias, por decisão da 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. Um quarto vereador, Marlon Sobreira (PP), embora não tenha sido preso, também foi alvo de mandado de busca e apreensão. Segundo apurou esta Coluna, o vereador permanece no exercício do mandato.
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Pedágio de R$ 60 mil
A Operação Omertá, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO-CE) em conjunto com o Ministério Público Eleitoral e o Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL), está cumprindo, nesta terça-feira (11), 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão e cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos.
O Ministério Público do Ceará investiga a ação de uma organização criminosa que cobrava uma espécie de "pedágio" de aproximadamente R$ 60 mil para permitir que candidatos circulassem em determinados bairros de Sobral durante a campanha.
A interferência não se limita ao pleito passado. A apuração aponta atuação do grupo tanto nas eleições municipais de 2024 quanto no processo eleitoral em curso.
Também é alvo da operação um advogado suspeito de integrar o núcleo de liderança e de executar ordens voltadas à interferência no processo eleitoral.
Os crimes apurados
Segundo a Polícia Federal, estão em investigação crimes como integração a organização criminosa, domínio social estruturado, extorsão, corrupção eleitoral, impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral e lavagem de capitais.
O juízo eleitoral deferiu ainda a proibição de contato entre investigados e testemunhas e determinou que a Câmara Municipal de Sobral apresente a relação completa de comissionados, funções de confiança e contratados temporários vinculados ao Legislativo. É o tipo de pedido que costuma indicar interesse no fluxo de dinheiro público, não apenas no crime eleitoral.
Desdobramentos
Conforme antecipou esta Coluna em 19 de junho, após contato com fontes das investigações no Ministério Público, já havia então apurações em andamento sobre tentativas de facções criminosas de interferir no processo eleitoral deste ano. À época, a informação era tratada com reserva por envolver procedimentos sigilosos. A operação desta terça é o primeiro desdobramento público desse trabalho.