Sabatinas PontoPoder: Ciro e Elmano propõem eleições diferentes

Dois candidatos divergem na forma e no conteúdo e apresentam diagnósticos opostos sobre o Estado

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Ciro defende uma mudança profunda na gestão; Elmano quer manter o projeto em andamento
Foto: Fotos: Thiago Gadelha

Os dois principais candidatos ao governo do Estado neste ano, Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT), propõem eleições diferentes ao eleitor. Nas sabatinas do PontoPoder, eles divergiram na forma e no conteúdo sobre que Estado temos e para onde devem caminhar as políticas públicas a partir do ano que vem. Poucas foram as coincidências discursivas.

Os dois saíram das entrevistas tendo descrito um quadro que não se encontra em quase nenhum ponto. E veja: não é só divergência de proposta, algo bastante natural para o quadro. É um debate sobre qual disputa está em curso no Ceará.

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O jogo de cada um

Cada um tentou jogar onde é mais forte. Como desafiante, Ciro apostou no futuro. Fez promessas, algumas delas, inclusive, fora do alcance de um governador, o que exigirá articulação institucional. O tucano propõe um novo modelo de governança para o Ceará a partir de mudanças na segurança pública.

Serão necessários 90 dias para a população começar a sentir os efeitos da nova política pública, promete ele. Uma estratégia de enfrentamento do crime organizado com foco em inteligência institucional e integração comunitária. Ciro acerta no conceito de integração das comunidades e na leitura do difícil quadro de insegurança, mas traz pouquíssimos detalhes sobre como essa tarefa será executada.

Elmano adota uma linha oposta. Acerta na prestação de contas, em detalhar as políticas que vêm sendo desenvolvidas e os números. Entretanto, fala pouco sobre o que vem pela frente, sobre o que precisa ser feito. É natural que um candidato à reeleição defenda a continuidade — na verdade, é o óbvio. Mas é preciso detalhar os rumos: o que deu certo, o que não deu e o que será feito de diferente.

A eleição que cada um quer

Em outro viés, Ciro trabalha para que a disputa seja estadual. Lembrou que foi candidato a presidente quatro vezes, que em duas delas enfrentou Lula e Bolsonaro e que, portanto, não é nem um nem outro. Reforçou que tem aliados na direita e na esquerda.

Elmano trabalha para o contrário. Disse que o Estado tem uma disputa real entre o projeto do presidente Lula e o projeto de Flávio Bolsonaro, e que a campanha de Ciro é a campanha dos bolsonaristas.

A disputa é a confirmação do que já tratamos nesta Coluna. Uma das mais simbólicas narrativas desta campanha.

E o pedido de voto?

Detalhe importante: em nenhuma das duas sabatinas houve pedido explícito de voto. Nenhum dos dois disse o próprio número na urna. E não há impedimento legal para isso. Foi escolha.

No passado ou no futuro, os dois falaram como governador. Porém, só um estará nesta função em 1º de janeiro de 2027.

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