As três revelações que complicam a situação de Moraes no STF
Corte precisa avaliar se um ministro nesta situação pode continuar relatando processos
A reportagem do Jornal O Estado de S. Paulo e a decisão de André Mendonça de levantar o sigilo do relatório da Polícia Federal sobre o caso Master mudaram o tamanho e a natureza do problema de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF). Até ontem, o desconforto era o contrato milionário do escritório da esposa dele com o banco de Daniel Vorcaro, um incômodo, mas defensável no campo da autonomia profissional de Viviane Barci. Agora, três pontos apontam diretamente para o ministro.
O primeiro é a edição do contrato. O arquivo enviado a Vorcaro registra a última alteração feita pelo usuário "Ministro Alexandre de Moraes". O escritório diz que ele apenas verificou impedimentos a pedido do compliance. A explicação, porém, confirma o principal: um ministro do Supremo manuseou a minuta de um contrato de mais de R$ 100 milhões entre sua família e um banqueiro sob investigação.
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O segundo é a interlocução direta. Vorcaro tinha o número de Moraes salvo, encontrou-se com ele mais de uma vez e, quando o cerco da PF e da PGR se fechava, pediu ajuda para conter as investigações. Dois dias antes de ser preso tentando embarcar para Dubai, perguntou ao ministro se deveria estar fora do país na segunda-feira. As respostas de Moraes, em grande parte, não foram recuperadas. Entretanto, a forma como um banqueiro apontado como responsável por uma das maiores fraudes bancárias da história se dirigia, via troca de mensagens, a um ministro da Suprema Corte é suficiente para as suspeitas.
O terceiro atinge a família. Em 2025, Vorcaro autorizou cartões de crédito do Master com limite de R$ 300 mil para cada um dos dois filhos do ministro. São benefícios pessoais, ao círculo íntimo, concedidos por quem tinha interesse direto em decisões da Corte.
As revelações desta terça-feira (1º) mostram que o STF não pode tratar o caso como um assunto privado de um de seus integrantes. O eventual cometimento de crimes pelo ministro Alexandre de Moraes será alvo da investigação. O principal agora é avaliar se um ministro nestas circunstâncias pode seguir relatando processos como se nada houvesse.