Empate técnico entre Ciro e Elmano transforma reta final em guerra eleitoral
Com cenário aparente de resolução em primeiro turno, cada ponto percentual pode valer a eleição
A segunda rodada da pesquisa Quaest após o início da campanha eleitoral, divulgada nesta quarta-feira (23) e contratada pela TV Verdes Mares, colocou Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) em empate técnico na corrida pelo Governo do Ceará. Com a eleição dividida em apenas dois candidatos competitivos e a real hipótese de definição no primeiro turno, os números transformam os últimos 10 dias até o voto em uma guerra eleitoral.
Pelos dados, Ciro tem 43%. Elmano, 41%. A margem de erro é de três pontos, para mais ou para menos.
A vantagem de Ciro em intenção de votos que era de 11 pontos no dia 4, caiu para 2, após 15 dias de campanha.
Acabou a eleição com favorito. Ciro oscilou dois pontos para baixo. Elmano subiu sete. Ou seja: quem tinha vantagem para administrar perdeu a margem, e quem corria atrás encostou.
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Curva a favor
A leitura desse movimento passa por vários fatores. Destaco dois. O primeiro é a aprovação do Governo: 56% aprovam e 36% desaprovam a gestão Elmano, segundo a mesma Quaest. É um capital político que já havia se apresentado, mas que a campanha petista não conseguia converter em voto. Isso mudou.
O segundo é Lula. O governador, candidato a reeleição, fez do presidente o centro de gravidade da sua tese eleitoral. A pesquisa Quaest mostra que Elmano cresceu 5 pontos entre os eleitores lulistas, ao passo em que Ciro caiu os mesmos 5. Detalhe: Elmano trará Lula na última semana da campanha ao Ceará.
Resiliência de Ciro
Entretanto, é bom lembrar que Ciro não desabou. Oscilou dentro da margem de erro e segue numericamente à frente na estimulada. Na espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, ele cresceu de 24% para 28%. Elmano foi de 19% para 25%.
Na prática, os dois consolidaram base. A diferença é que um acelera mais. Neste mesmo recorte, há ainda 45% de indecisos, um grande contingente do eleitorado em disputa.
Com cenário aparente de resolução em primeiro turno, cada ponto percentual vale a eleição. E isso é determinante para uma reta final em altíssima temperatura.
Frentes de batalha
A primeira frente é a rua. Prefeitos, lideranças regionais e bancadas serão cobrados por entrega de voto em cada município. Carreatas, caminhadas e agendas vão se multiplicar. Nenhum reduto pode ser dado como garantido.
A segunda é a rede social. É onde a desconstrução do adversário encontra menos filtro e mais velocidade. Com o percentual alto de indecisos, o alvo é justamente o eleitor de voto volátil, mais sensíveis ao corte de vídeo e à mensagem curta.
A terceira é a Justiça Eleitoral. A tendência, em disputas apertadas como esta, é a multiplicação de pedidos de direito de resposta, representações por propaganda irregular e contestações de conteúdo nas redes. O tribunal, que já virou palco, terá papel ainda mais relevante.
O Ceará entra, portanto, nos dez dias mais tensos desta eleição.