Deputados defendem recondução de Romeu Aldigueri à Presidência da Alece
Escolha do novo presidente será feita só após a posse da nova composição e após diálogo com líderes governistas
Encerrado o segundo turno da eleição presidencial no último domingo (25), as atenções da política cearense se voltam para três frentes: a formação do novo governo Elmano de Freitas (PT), a acomodação das lideranças aliadas e a sucessão na Assembleia Legislativa do Ceará. Nesta última, o cenário começa a ganhar contorno.
Conforme apurou esta Coluna em conversas reservadas com deputados da base e da oposição, a maioria dos parlamentares defende a permanência do deputado Romeu Aldigueri (PSB) no comando do Legislativo pelos próximos dois anos.
Decisão da nova Casa
A eleição da Mesa Diretora está marcada para 1º de fevereiro de 2027, logo após a posse dos deputados eleitos em 4 de outubro. Ou seja: quem escolhe o próximo presidente é a nova composição da Assembleia, não a atual.
Entretanto, o peso estratégico do cargo leva a discussão para além do plenário. A presidência da Alece controla a pauta e o ritmo das votações de interesse do Executivo. Por isso, a definição passa pela mesa das principais lideranças do grupo governista: os senadores Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB) e o governador Elmano de Freitas.
Trunfos do presidente
Romeu reúne elementos a seu favor. O primeiro é tratar-se de uma recondução. Ele já está sentado na cadeira de comando.
O segundo é partidário. O PSB elegeu a maior bancada da Casa, com 13 deputados estaduais. Na Alece, há um acordo tácito, em vigor há algum tempo, que dá à maior bancada o direito de indicar o presidente. Não é regra obrigatória. Mas pesa na costura.
O terceiro é político. Aliados avaliam que Romeu cumpriu papel importante de sustentação ao governo Elmano no Legislativo. Soma-se a isso o desempenho nas urnas: ele foi reeleito, e a esposa, Tainah Marinho, foi a deputada federal mais votada do Nordeste. Capital político que entra na conta.
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Nome forte fora do páreo
Nesta semana, o deputado eleito Domingos Filho (PSD), que já presidiu a Casa, declarou que não vai disputar o comando.
Na prática, sai do páreo um nome com experiência e trânsito para a função, o que estreita o campo de eventuais alternativas. Domingos também sinalizou favoravelmente à permanência do atual comando.
O tempo da política
Em conversa com esta Coluna, Romeu evitou confirmar a candidatura. "Sou homem de projeto coletivo. Nós terminamos uma eleição, ainda vamos terminar o ano, aprovar o orçamento. Tudo tem seu tempo", disse o presidente. E completou: "Eu tenho líderes: o senador Camilo, o senador Cid e o governador Elmano. No momento oportuno vamos falar sobre isso".
A cautela do presidente tenta evitar antecipar a disputa, o que seria abrir uma frente desnecessária, com o Orçamento de 2027 ainda por votar e a formação do novo governo em andamento. Além disso, a palavra final, como o próprio Romeu reconhece, não será só dele.
A tendência, portanto, é de continuidade. Porém, a sucessão na Alece será mais uma peça no tabuleiro da acomodação de aliados. E só se fecha quando Camilo, Cid e Elmano resolverem a equação do novo governo.