Reeleito pela continuidade, Elmano precisa de marca própria no 2º mandato
Governador tem uma janela curta para transformar herança em legado
O governador Elmano de Freitas (PT) venceu a eleição deste ano ainda no primeiro turno e garantiu mais quatro anos no Palácio da Abolição. Repetiu o feito de 2022, desta vez em uma batalha bem mais dura, contra a oposição liderada por Ciro Gomes (PSDB).
A vitória confirma a força do grupo político. Mas não resolve o problema do segundo mandato.
Desde a primeira campanha, Elmano fez da continuidade um mantra. O discurso remete ao projeto iniciado em 2006 e se apoia na aliança com Cid, Camilo Santana e o presidente Lula. Funcionou em 2022. Funcionou de novo agora. Entretanto, o ativo que garantiu duas vitórias tem um limite.
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Herança não é assinatura
Na campanha deste ano, Elmano se apoiou em três pilares. O primeiro, a resposta à crise na segurança pública. O segundo, as escolas em tempo integral, vitrine de uma política educacional construída há quase duas décadas. O terceiro, a atração de investimentos públicos e privados para turbinar o crescimento do Estado.
É bom lembrar que esse portfólio antecede o atual governador. Na prática, o eleitor premiou um projeto de grupo, não necessariamente um governo com cara própria, ainda que Elmano tenha feito uma campanha mais madura e segura que a anterior.
Mandato de acomodação
O primeiro mandato foi marcado por adaptações e acomodações políticas. Elmano chegou ao cargo após uma costura que rachou o antigo campo governista e gastou capital político para manter de pé uma base ampla e heterogênea. Conseguiu mantê-la coesa, mas a condução do grupo coube a Camilo Santana. Ou seja: governou mais para preservar o balanço de poder do que para imprimir identidade.
.Se a continuidade elegeu Elmano duas vezes, não será ela que vai defini-lo na história
Relógio da sucessão
Sem direito a nova reeleição, o governador verá o centro de gravidade do grupo migrar para a disputa de 2030 bem antes do fim do mandato.
Detalhe: a janela real para construir uma marca não é de quatro anos. É de dois, talvez menos.
Aposta no futuro
O caminho apontado pelo governo passa por reduzir a criminalidade de forma sólida e apostar em investimentos e economia digital. A primeira tarefa é a mais difícil: o avanço das facções é um desafio para todo o País.
Para a segunda, o Ceará tem ativos. Fortaleza é ponto de chegada de cabos submarinos, o Pecém concentra uma agenda industrial e energética relevante e a Transnordestina pode redesenhar a logística do Estado.
Transformar esse conjunto em política de Estado com assinatura, que chegue também ao interior, é a tarefa.
Se conseguir, Elmano deixa de ser o governador da continuidade e passa a ser o da transição para um novo modelo de desenvolvimento. Se não, corre o risco de entrar para a história como mais um elo de uma longa corrente. Importante, mas secundário.