Eleição para presidente da Câmara de Fortaleza antecipa o jogo eleitoral de 2028
Chefe do Legislativo será primeiro na linha de sucessão do prefeito e vai controlar a pauta na fase decisiva do mandato
A Câmara Municipal de Fortaleza escolhe, no dia 1º de dezembro, uma terça-feira, quem comandará a Casa no biênio 2027-2028. A votação, estratégica por ser a escolha de um presidente de Poder, terá peso ainda maior do que há dois anos. Com a eleição de Gabriella Aguiar (PSD) para vice-governadora, em outubro, Fortaleza ficou sem vice-prefeita. O presidente da Câmara passa a ser o primeiro na linha de sucessão do prefeito Evandro Leitão (PT).
A escolha dos vereadores não será meramente administrativa. Trata-se de uma decisão com peso político para a institucionalidade municipal e para a montagem da eleição de 2028 na Capital.
Três trunfos
A cadeira, ocupada atualmente pelo vereador Léo Couto (PSB), oferece ao grupo do prefeito três ativos. O primeiro é simbólico: o eleito vira, na prática, o vice-prefeito da Capital. O segundo é estratégico. O presidente comanda o plenário e controla a pauta legislativa. Para um prefeito que deve buscar a reeleição, ter projetos votados no tempo certo é trunfo de gestão e de campanha.
O terceiro é político. Evandro tem uma base ampla, com cerca de 33 dos 43 vereadores. Número, porém, não é sinônimo de coesão. O presidente precisa liderar o diálogo, administrar demandas e evitar rusgas. Ou seja: a articulação precisa funcionar justamente quando o calendário eleitoral começa a pesar.
Quem presidir a Câmara será, ao mesmo tempo, sucessor imediato do prefeito e fiador da sua base.
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Vantagem com aval
Léo Couto (PSB) larga em vantagem. Já está no comando da Casa e goza de trânsito livre no comando do grupo governista, inclusive com o prefeito Evandro Leitão. Na gestão, conseguiu tirar do papel um projeto robusto ventilado por outros presidentes: a transferência da sede do Legislativo para o Centro da Capital.
Em contato com esta coluna, o presidente defende diálogo com os parlamentares e com o prefeito. Como falta menos de um mês para a eleição, a definição deve sair nos próximos dias.
Entre os vereadores, o clima ainda é de espera. Nos bastidores, há um entendimento de que a base do prefeito não baterá chapa, ou seja, haverá um candidato de consenso.
Quem concorre
Esta coluna apurou que apenas um outro nome poderia ter força no processo para substituir o presidente: Eudes Bringel (PSD), que está licenciado por chefiar o gabinete do Prefeito. Bruno Mesquita, artual líder do prefeito, corre por fora.
E a oposição?
Para os opositores, liderados pelo PL de André Fernandes, a decisão na eleição da Mesa é de cálculo político. Bater chapa marca posição, mas tende a isolar o grupo. Um acordo pode render espaços na Mesa e nas comissões temáticas.