Os bastidores da negociação do comando governista com Júnior Mano

O deputado, a essa altura, já não disputa a vaga ao Senado em si, mas as condições para abrir mão

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Júnior Mano já teve a primeira reunião com o governador Elmano de Freitas nas tratativas da chapa majoritária
Foto: Montagem

O deputado federal Júnior Mano (PSB) sentou-se com o governador Elmano de Freitas (PT) para tratar da chapa majoritária governista. A conversa não foi conclusiva, dizem fontes desta Coluna dos dois lados da negociação. Elmano e o senador Camilo Santana (PT) querem Cid Gomes (PSB) candidato ao Senado, mas para isso precisam tratar com Mano, que tem um acordo de pré-candidatura com Cid.

A movimentação mostra que o deputado conseguiu o que queria: tratar do assunto sentado à mesa. Mano recusou os diversos recados indiretos. Dobrou a aposta e exibiu apoio de prefeitos, dizendo manter a pré-candidatura de pé. E conquistou a mesa.

Pelo menos publicamente, não há data para a nova conversa, mas uma coisa é certa: ninguém se reúne mais de uma vez para confirmar uma desistência. Reúne-se para negociar o preço.

Mano, a essa altura, já não disputa a vaga ao Senado em si, mas as condições para abrir mão. 

A chapa de Elmano precisa de Cid na disputa majoritária, e a ascensão de Ciro Gomes (PSDB) nas pesquisas tornou essa necessidade urgente. Com o adversário à frente nas pesquisas, Cid deixou de ser desejável para ser indispensável.

O problema é que a vaga do PSB na chapa era, por compromisso público do próprio senador, de Júnior Mano.

O recado e a resposta

No dia 26 de maio, esta Coluna revelou que Cid admitira a Elmano a possibilidade de concorrer, mas com condições. A principal delas era o respeito ao acordo firmado com Mano. 

No mesmo dia, o deputado começou a mobilizar aliados e a conceder entrevistas reforçando a pré-candidatura. Depois, dobrou a aposta: publicou vídeo com 35 prefeitos declarando apoio ao seu nome.

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As peças sobre a mesa

Com a conversa direta finalmente aberta, os contornos da troca começam a aparecer. Uma tese que ganha força entre governistas é o retorno de Mano à disputa pela Câmara Federal pelo PSB, o que, na avaliação deles, fortaleceria a chapa proporcional socialista.

Em paralelo, a esposa do deputado, Giordanna Mano (PRD), pré-candidata a deputada federal, seria alçada à primeira suplência de Cid no Senado.

Há ainda um lance que não está claro, mas tem peso. Em entrevista no Interior, Giordanna afirmou ter sido convidada para compor a chapa de Elmano como vice-governadora.

Aliados de Mano tratam o episódio como uma sondagem. O governo não confirma. Exata ou inflada, a informação cumpre uma função na negociação do lado de Mano: elevar o teto.

Os fatores da presença de Júnior Mano

Júnior Mano significa uma dicotomia ao grupo governista. Politicamente forte no Interior, com o apoio declarado de 35 prefeitos e dois partidos no seu raio de ação (PSB e PRD), é um ativo com influência em uma eleição que se desenha dura.

Por outro lado, enfrenta uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), indiciado como suposta peça central de um esquema de compra de apoio político e uso irregular de emendas parlamentares.

Ele é, ao mesmo tempo, um ativo no Interior e passivo na majoritária. Daí a delicadeza com que Camilo Santana e Elmano tratam o caso: ele pode ter valor para a aliança, mas não na vitrine da disputa ao Senado.

No fim das contas, esse impasse diz menos sobre quem ficará com a vaga de senador do que sobre a constatação de que Júnior Mano não saiu de cena. Ele negocia o preço de mudar de lugar.