Sem educação, a violência contra animais continuará sendo só notícia

Escrito por
Fernanda Leite producaodiario@svm.com.br
Fernanda Leite é jornalista
Legenda: Fernanda Leite é jornalista

O caso do cachorro Orelha não chocou o Brasil apenas pela brutalidade. Ele chocou porque escancarou algo que muita gente ainda prefere ignorar: falhamos na formação básica de crianças e adolescentes quando o assunto é respeito à vida animal. A comoção foi imensa, atravessou fronteiras, mobilizou pessoas de diferentes países, artistas e cidadãos comuns. Mas, passada a indignação inicial, fica a pergunta que realmente importa: o que estamos fazendo para evitar que isso se repita?

A educação idealmente deveria vir de casa. É ali que valores são formados, que limites são ensinados, que a empatia começa a ser construída. Mas nem sempre ela vem. Em muitos lares, o respeito não é ensinado e, em alguns casos, o errado é relativizado, a violência é aplaudida ou simplesmente ignorada. Há pais que passam a mão na cabeça de atitudes graves, que normalizam o desvio, que falham em mostrar que certas coisas não são aceitáveis.

Quando essa educação não vem de casa, ela precisa vir de outro lugar. E é aí que entram a escola e o Estado. Não como substitutos da família, mas como agentes essenciais de formação social. Fingir que isso não é necessário é fechar os olhos para uma realidade que está diante de nós. Educação em direitos dos animais não é excesso de zelo, não é pauta menor. É parte da construção ética de qualquer sociedade.

Hoje, quando o tema aparece no ambiente escolar, costuma ser tratado apenas sob o viés ambiental. É importante, mas não basta. Precisamos falar de direitos dos animais, de posse responsável, de cuidado, de empatia e de consequências. Ensinar uma criança a respeitar um animal é também ensiná-la a respeitar o outro, a entender limites e a conviver em sociedade.

A violência contra animais praticada por jovens não surge do nada. Ela é construída no silêncio, na omissão, na falta de orientação e na ausência de responsabilidade. E quando explode, vira manchete, vira indignação, vira debate, mas quase nunca vira ação contínua.

O caso do Orelha precisa ser mais do que mais um episódio que chocou o país. Ele precisa servir de alerta. O Estado precisa agir. As escolas precisam agir. Precisamos parar de reagir apenas depois da tragédia e começar a investir seriamente em educação preventiva.

Proteger os animais é uma questão de humanidade. E humanidade se aprende.

Fernanda Leite é jornalista

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