Saúde mental e trabalho
A partir de maio próximo (se não houver novo adiamento, como em 2025), a avaliação de riscos psicossociais terá de fazer parte da gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) das empresas
Problemas relativos à saúde mental no ambiente de trabalho, longe de mera “frescura”, como alguns ainda prejulgam, exigem permanente atenção de empregados, empregadores (públicos e privados), entidades sindicais, órgãos governamentais, Ministério Público, Legislativo e Judiciário. O propósito da campanha “janeiro branco”, de chamar atenção para o tema, não pode se limitar ao mês que acaba de findar.
As estatísticas oficiais expõem um drama que afeta milhares de trabalhadores (e suas famílias) em todo o País. Entre 2021 e 2024, no Ceará, segundo o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), aumentou em 128% o número de afastamentos de trabalhadores por saúde mental. São cidadãos(ãs) acometidos(as) de episódios depressivos, transtornos ansiosos e transtorno afetivo bipolar, entre outros.
Não se pode alegar que todos esses casos guardam relação direta com o ambiente de trabalho, pois há também dilemas de ordem pessoal e familiar envolvidos, mas os números apontam que, em 2025, cresceram 23% as queixas de violência e assédio psicológico no âmbito das empresas. Gestores públicos e privados devem estar cada vez mais atentos a sinais de que o ambiente de trabalho, em vez de saudável, tenha se tornado tóxico.
A partir de maio próximo (se não houver novo adiamento, como em 2025), a avaliação de riscos psicossociais terá de fazer parte da gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) das empresas. A novidade decorre da atualização feita em agosto de 2024 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
Riscos psicossociais dizem respeito, entre outras questões, à prática de assédio (moral, sexual, eleitoral etc) no ambiente de trabalho, estresse e carga mental excessiva. A intenção da norma é exigir que problemas desta natureza sejam identificados, corrigidos e prevenidos, o que é dever das empresas como parte das medidas de proteção à saúde e segurança dos trabalhadores.
Um ambiente laboral sadio passa por ações simples como assegurar condições para o bom cumprimento de tarefas, valorizar esforços e resultados e estabelecer canais de diálogo e confiança recíproca. Ao cidadão, também é essencial ter alimentação saudável e convivência familiar e comunitária, praticar atividade física, evitar uso abusivo de álcool, dormir bem e buscar, sempre que necessário, os serviços de saúde.