Formação em artes e virtualidades

O Porto Iracema das Artes iniciou 2020 com uma agenda: pensar a arte em tempos de intolerância e autoritarismo. Definimos o tema norteador dos debates: Poéticas de Coexistência. Não se propunha a anulação dos conflitos, pois esses são necessários para produção de conquistas. Tratava-se, sim, de indagar, a partir da arte, sobre a possibilidade de coexistência conflituosa e democrática, autoafirmativa e coletiva.

O confinamento impôs novos desafios. Como, por exemplo, construir experiências de formação em artes que não sequestrem a intensidade do ato criativo, especialmente nas chamadas artes “vivas” (teatro e dança), em que a presença corporal é tão essencial?

O isolamento social imprimiu urgência à produção cultural, materializada na profusão de lives e eventos digitais diversos. Uma hiperinflação da oferta de bens simbólicos que sintetiza dramaticamente a sensação de instabilidade e a busca ávida e justa por alternativas para existir.

Acionamos um largo processo de reflexão. Nos debruçamos sobre questões que o tempo das urgências tende a obscurecer. Sentimos a necessidade de um pensamento mais complexo, diante da pressão por ofertas de cursos rápidos, que – de partida – excluem uma enorme quantidade de jovens que não têm acesso à internet. Fizemos dois movimentos: retornamos às nossas experiências vividas e criamos conteúdos digitais.

Hoje, iniciamos o Poéticas de Coexistência: questões para formação em artes e virtualidades, um processo de partilha de experiências de criação artística e pesquisa que se dão nos cruzamentos entre a formação em artes e as tecnologias digitais. Na agenda, a possibilidade de uma Plataforma Pública de Formação em Artes, um espaço permanente de debate e experimentação de recursos, métodos e questões implicados na formação artística quando essa se dá na confluência entre o virtual e o presencial.

Bete Jaguaribe

Diretora de Formação do IDM/Porto Iracema das Artes


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