Orelha e a maldade humana

Os tais “adolescentes”, filhos de famílias endinheiradas, residentes na área, de forma covarde, sem qualquer razão, simplesmente resolveram atacar o pobre e indefeso cão, espancando-o brutalmente

Escrito por
Gilson Barbosa producaodiario@svm.com.br
Jornalista
Legenda: Jornalista

Ele vivia feliz, durante quase dez anos, nas areias da bela Praia Brava, área nobre e de grande beleza na orla de Florianópolis (SC). Como cão comunitário, a exemplo de seus amigos, Caramelo e a cadela Pretinha – a quem protegia, conforme relato dos frequentadores do local - , era alvo do carinho de todos os que por ali passavam, recebendo alimentação, abrigo e outros cuidados. Orelha, nascido certamente em circunstâncias hostis, lutando diariamente pela vida, como todo cachorro de rua, abandonado à própria sorte, encontrou naquele espaço, assim como seus dois companheiros, um refúgio onde recebia amor e a atenção de muita gente.

Como vimos em diversas gravações feitas por celulares, exibidas na TV, era um animalzinho dengoso, que logo se deitava de barriga para cima, relaxado, enquanto os transeuntes e/ou visitantes da praia o alisavam e acarinhavam. Orelha, na sua inocência animal, desconhecia, ignorava a maldade dos homens. Abrigava-se numa casinha perto da praia, como seus dois amigos inseparáveis. Comovida pela situação dos três cães, a comunidade da área construiu três pequenas casas para eles. Todos viviam na sua rotina feliz e despreocupada. Até que, no início do mês passado, os caminhos de Orelha e dos quatro celerados que tiraram sua vida se cruzaram. Triste destino!

Os tais “adolescentes”, filhos de famílias endinheiradas, residentes na área, de forma covarde, sem qualquer razão, simplesmente resolveram atacar o pobre e indefeso cão, espancando-o brutalmente. Orelha ficou desaparecido durante dois dias e, quando encontrado, agonizava. Foi ainda resgatado e encaminhado para atendimento veterinário. Contudo, diante da gravidade das lesões contundentes que sofrera, teve que ser submetido à eutanásia.

Poucos sabem, mas seu amigo canino, o Caramelo, também foi vítima de iguais atrocidades. Sofreu, inclusive, uma tentativa de afogamento, tendo sido salvo pela ação de um porteiro que conseguiu afastá-lo de seus agressores. Caramelo terminou adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, que já adotara antes outro animal. Torço para que Pretinha também tenha encontrado um(a) tutor(a).

De tudo isto, só temos a lamentar mais este episódio de brutalidade contra animais indefesos, fato que infelizmente tem se repetido no Brasil. Ativistas pela causa animal promoveram grandes manifestações nas principais cidades do país, pedindo justiça e punição para os algozes de Orelha. Na Praia Brava há agora, voltada para o mar, uma estátua que o mantém presente, lembrando-nos que algumas vidas são suficientemente grandes para nunca serem esquecidas. Que seu sacrifício possa servir, pelo menos, de referência para que outros episódios de barbárie contra animais sejam punidos com maior rigor. É a nossa esperança!

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