Orelha: crime sem castigo

A sociedade está cansada de assistir a cenas de violência extrema sendo tratadas como episódios menores, quase como travessuras juvenis

Escrito por
Alexandre Rolim producaodiario@svm.com.br
Advogado
Legenda: Advogado

O brutal assassinato do cão comunitário “Orelha”, em Florianópolis, não é apenas mais um caso de maus tratos. É um retrato cruel de uma realidade que o Brasil insiste em varrer para debaixo do tapete: a impunidade institucionalizada quando o agressor é adolescente e a banalização das penas quando a vítima é um animal indefeso.

A sociedade está cansada de assistir a cenas de violência extrema sendo tratadas como episódios menores, quase como travessuras juvenis. Estamos falando de crueldade deliberada, de prazer em ferir, de covardia contra um ser incapaz de se defender. E a resposta do Estado? Medidas socioeducativas brandas, discursos vazios e uma legislação que parece não acompanhar a gravidade do mundo real.

Hoje, o adolescente pode cometer as piores atrocidades possíveis e, ainda assim, ser tratado como alguém “em desenvolvimento”, como se a consciência do certo e do errado só surgisse magicamente aos 18 anos. Isso não é justiça. Isso é uma afronta às vítimas, sejam humanas ou animais, e um incentivo silencioso à reincidência.

Da mesma forma, as penas para maus tratos contra animais, embora aumentadas nos últimos anos, continuam ridiculamente baixas diante da barbaridade que representam. Quem tortura um animal demonstra total ausência de empatia e humanidade. Não é exagero dizer: trata-se de um comportamento que deveria ser enquadrado como crime hediondo, dada a perversidade e o risco social envolvido.

Precisamos parar de romantizar a adolescência como escudo para a monstruosidade. Reduzir a maioridade penal em crimes graves é uma discussão necessária. Não se trata de vingança, mas de proteção social, de responsabilidade e de coerência jurídica.

O caso Orelha exige mais do que indignação momentânea. Exige coragem legislativa e consciência coletiva. Porque enquanto a lei continuar passando a mão na cabeça de quem destrói vidas, o próximo inocente indefeso já está na mira.

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