O “dono” da “Bola”

Mas ele não se limitou apenas a bagunçar as trocas comerciais. Na política externa, deseja impor sua vontade acima de tudo

Escrito por
Gilson Barbosa producaodiario@svm.com.br
Jornalista
Legenda: Jornalista

Parece até teimosia de minha parte, caro(a) leitor(a). Porém, na passagem do primeiro ano de Donald J. Trump na Presidência dos Estados Unidos, não consigo calar. Autossuficiente, vaidoso e prepotente, o atual mandatário da mais poderosa nação da Terra impôs seu estilo autocrático a todo o planeta, como um déspota esclarecido do passado. No exercício deste segundo mandato, já demonstrou, apenas em doze meses, que não se importa nem com o próprio Congresso de seu país, tomando decisões – como o sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro, por exemplo – sem consultar os parlamentares. Dedicado ao que chama de “defesa da economia” dos EUA, Trump impôs sobretaxas elevadíssimas à maioria dos países, criando um rebuliço sem precedentes no comércio mundial.

O Brasil, por exemplo, foi “premiado” com 50% de aumento numa lista de produtos que exporta para aquela nação. Felizmente, graças à atuação da diplomacia, estabeleceu-se posteriormente um diálogo entre o presidente Lula e o mandatário ianque, dando-se início à reversão do problema, que, por sinal, ainda perdura em algumas das exportações brasileiras para lá. Outras nações sofreram igual impacto, inclusive a China, a grande rival dos Estados Unidos no comércio internacional, com a qual Trump provocou uma “guerra tarifária” que se prolongou por semanas, com retaliações e aumento crescente de sobretaxas de parte a parte.

Mas ele não se limitou apenas a bagunçar as trocas comerciais. Na política externa, deseja impor sua vontade acima de tudo. Age como se fosse o menino, dono da bola, que, num passado nem tão longínquo assim, só permitia que os amigos jogassem com ela se ele, o dono, participasse do jogo de futebol. Hoje é dele este papel. Caso seu desejo seja contrariado, como agora ocorre na questão da Groenlândia, pertencente à Dinamarca e que Trump quer comprar a ferro e fogo, ele, como um garoto birrento, impõe nova chantagem às nações aliadas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contrárias à sua pretensão, como mais sobretaxas a produtos europeus.

Trump se vê como “dono” desta “bola” chamada Terra. Ameaça romper a cláusula 5a. do tratado, assinado em 1949, que estabelece a defesa coletiva da aliança, baseada no princípio de que um ataque contra um de seus países-membros é uma agressão contra todos. Mas a Dinamarca já anunciou que a Groenlândia não está à venda. Para ele, porém, ignorar tratados, acordos é normal, desde que prevaleça sua visão em defesa da proteção dos EUA diante de supostas ameaças da Rússia e China na costa da maior ilha do planeta. O problema está criado e veremos o que acontecerá. É o estilo Trump de governar. E teremos mais três anos dele na Casa Branca. Infelizmente, virá muito mais por aí.

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