O “dono” da “Bola”
Mas ele não se limitou apenas a bagunçar as trocas comerciais. Na política externa, deseja impor sua vontade acima de tudo
Parece até teimosia de minha parte, caro(a) leitor(a). Porém, na passagem do primeiro ano de Donald J. Trump na Presidência dos Estados Unidos, não consigo calar. Autossuficiente, vaidoso e prepotente, o atual mandatário da mais poderosa nação da Terra impôs seu estilo autocrático a todo o planeta, como um déspota esclarecido do passado. No exercício deste segundo mandato, já demonstrou, apenas em doze meses, que não se importa nem com o próprio Congresso de seu país, tomando decisões – como o sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro, por exemplo – sem consultar os parlamentares. Dedicado ao que chama de “defesa da economia” dos EUA, Trump impôs sobretaxas elevadíssimas à maioria dos países, criando um rebuliço sem precedentes no comércio mundial.
O Brasil, por exemplo, foi “premiado” com 50% de aumento numa lista de produtos que exporta para aquela nação. Felizmente, graças à atuação da diplomacia, estabeleceu-se posteriormente um diálogo entre o presidente Lula e o mandatário ianque, dando-se início à reversão do problema, que, por sinal, ainda perdura em algumas das exportações brasileiras para lá. Outras nações sofreram igual impacto, inclusive a China, a grande rival dos Estados Unidos no comércio internacional, com a qual Trump provocou uma “guerra tarifária” que se prolongou por semanas, com retaliações e aumento crescente de sobretaxas de parte a parte.
Mas ele não se limitou apenas a bagunçar as trocas comerciais. Na política externa, deseja impor sua vontade acima de tudo. Age como se fosse o menino, dono da bola, que, num passado nem tão longínquo assim, só permitia que os amigos jogassem com ela se ele, o dono, participasse do jogo de futebol. Hoje é dele este papel. Caso seu desejo seja contrariado, como agora ocorre na questão da Groenlândia, pertencente à Dinamarca e que Trump quer comprar a ferro e fogo, ele, como um garoto birrento, impõe nova chantagem às nações aliadas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contrárias à sua pretensão, como mais sobretaxas a produtos europeus.
Trump se vê como “dono” desta “bola” chamada Terra. Ameaça romper a cláusula 5a. do tratado, assinado em 1949, que estabelece a defesa coletiva da aliança, baseada no princípio de que um ataque contra um de seus países-membros é uma agressão contra todos. Mas a Dinamarca já anunciou que a Groenlândia não está à venda. Para ele, porém, ignorar tratados, acordos é normal, desde que prevaleça sua visão em defesa da proteção dos EUA diante de supostas ameaças da Rússia e China na costa da maior ilha do planeta. O problema está criado e veremos o que acontecerá. É o estilo Trump de governar. E teremos mais três anos dele na Casa Branca. Infelizmente, virá muito mais por aí.