O custo da dispersão para o varejo

No varejo contemporâneo, a dispersão é uma forma sofisticada de autossabotagem

Escrito por
Assis Cavalcante Júnior producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 08:29)
Empresário
Legenda: Empresário

Imagine dois gestores varejistas expostos ao mesmo cenário: mercado competitivo, economia nacional, excesso de informações, estímulos constantes ao consumo e mudanças rápidas no comportamento do cliente. Ambos possuem objetivos claros, desejam crescer, vender mais e consolidar seus negócios. A diferença entre eles, porém, não está no acesso às oportunidades, mas na forma como lidam com elas.

No cotidiano do varejo, estímulos não faltam. Datas comerciais, excesso de feriados, campanhas promocionais, redes sociais, tendências que surgem e desaparecem rapidamente, além de convites para eventos, lançamentos e “novas soluções milagrosas”. Em meio a esse excesso, muitos profissionais se veem ocupados o tempo todo, mas avançando pouco. A dispersão se instala de forma quase imperceptível.

Enquanto um gestor se deixa levar pelo fluxo contínuo de demandas, ao apagar incêndios e reagindo ao curto prazo de forma frenética, o outro utiliza o mesmo contexto como base para planejamento de suas ações: analisando oportunidades, escolhendo onde investir energia, definindo prioridades e executando com consistência. Ambos trabalham muito, mas apenas um transforma esforço em resultado.

No varejo contemporâneo, a dispersão é uma forma sofisticada de autossabotagem. Ela não se manifesta como falta de trabalho, mas como excesso de tarefas sem um foco claro. A sensação constante de estar “correndo atrás” substitui a estratégia. O famoso e tão falado “vai dar certo”, muitas vezes não tem um plano real. O resultado é conhecido: vendas instáveis, equipes desmotivadas e frustração recorrente com metas não alcançadas.

Vivemos em uma sociedade que ao estimular o imediatismo prioriza a urgência e tudo parece oportunidade. O problema é que, no varejo, dizer “sim” para tudo costuma significar dizer “não” ao crescimento estruturado. Assim, o trabalho deixa de ser uma ponte para a prosperidade e passa a ser percebido como um peso, um obstáculo entre o profissional e a vida que se deseja.

É comum atribuir esse cenário a fatores externos: excesso de informação, mudanças tecnológicas ou até questões cognitivas muito discutidas atualmente. Esses desafios existem e não devem ser ignorados. No entanto, eles não explicam sozinhos por que alguns profissionais prosperam enquanto outros permanecem estagnados, mesmo atuando no mesmo mercado sob as mesmas condições.

O que realmente separa resultados consistentes de frustrações recorrentes não é a falta de dinheiro, nem a ausência de oportunidades. É a ausência de planejamento, disciplina na execução e frequente acompanhamento. No varejo, quem não tem foco se torna refém das circunstâncias.

A dispersão surge quando o profissional perde o autocomprometimento. Quando metas são definidas, mas não desdobradas em ações, prazos e indicadores, o fracasso deixa de ser um risco e passa a ser uma consequência previsível.

A solução para esse caos começa com autoconsciência: onde estou, onde quero chegar e o que preciso fazer para isso? A partir dessas respostas, surgem decisões práticas - buscar apoio, desenvolver competências, ajustar processos e estruturar um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), que ao ser bem aplicado, transforma intenção em método e esforço em resultado.

No varejo, o caminho mais fácil quase sempre leva ao mesmo lugar. Evoluir exige escolhas conscientes, renúncias estratégicas e foco na rotina. O caminho de outro gestor nunca será o seu. Crescimento sustentável nasce da clareza, não da pressa. Inicie o quanto antes. O seu “eu do futuro” agradece.

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