O celular na formação das novas gerações

Escrito por
Manoela Abreu producaodiario@svm.com.br
Manoela Abreu é psicopedagoga
Legenda: Manoela Abreu é psicopedagoga

Um levantamento realizado pela Mobile Time/Opinion Box, em julho de 2025, com 2.005 pais, revelou uma queda significativa na posse de celulares entre crianças de 4 a 6 anos, de 30% para 17%. A redução não se explica apenas pelas políticas que restringem o uso de aparelhos em escolas, mas por uma conscientização crescente das famílias, impulsionada por estudos que evidenciam os impactos negativos do uso precoce e excessivo das telas.

Hoje, já se reconhece amplamente que o tempo prolongado diante do celular pode comprometer a visão, o desempenho acadêmico e a socialização das crianças. Quando o contato com as telas ocorre antes das idades recomendadas por instituições como a Academia Americana de Pediatria, os riscos se tornam ainda maiores. Nesse cenário, o acesso à informação tem se mostrado um importante aliado, ajudando pais e responsáveis a retardar a introdução do smartphone e a adotar práticas mais alinhadas às orientações médicas e pedagógicas.

Por outro lado, é inegável que o celular pode ser um recurso valioso de aprendizagem quando utilizado com propósito e intencionalidade. Entre estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, o aparelho amplia o acesso a conteúdos, estimula a autonomia e favorece trajetórias de aprendizado personalizadas. Plataformas que utilizam inteligência artificial já permitem ajustar o ritmo e o formato do ensino ao perfil de cada aluno. Ferramentas como o Duolingo, hoje reconhecido inclusive como certificadora de proficiência linguística, demonstram como a tecnologia pode potencializar o aprendizado quando bem aplicada.

Ainda assim, o papel da mediação humana permanece insubstituível. A tecnologia deve ser o meio, não o fim. Cabe à escola dar propósito pedagógico ao uso do celular, enquanto à família cabe acompanhar o conteúdo consumido e estabelecer limites claros. Mesmo em contextos de menor acesso, como em lares das classes D e E, onde o smartphone muitas vezes é o único recurso digital disponível, o acompanhamento familiar faz toda a diferença.

A presença ativa dos adultos orientando, conversando e estimulando outras formas de aprender é o que transforma o celular de vilão em ferramenta educativa. Porque, no fim das contas, não é o aparelho que forma as novas gerações, mas a forma como o usamos para educar.

Manoela Abreu é psicopedagoga

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