ESG na prática: como reduzir emissões e desperdícios já no primeiro trimestre de 2026

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Vinicius Callegari producaodiario@svm.com.br
Vinicius Callegari é administrador
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A agenda ESG deixou de ser apenas um compromisso institucional e passou a ocupar o centro das decisões operacionais em setores intensivos em ativos, como mineração, papel e celulose, construção pesada e operações florestais. Nessas atividades, o uso de máquinas móveis representa uma parcela significativa tanto dos custos quanto das emissões de gases de efeito estufa.

Com o avanço da digitalização, empresas já conseguem transformar dados operacionais em ações concretas de sustentabilidade — e o primeiro trimestre de 2026 desponta como um período estratégico para gerar resultados ambientais mensuráveis sem depender de grandes investimentos estruturais.

Em operações off-road, as principais fontes de emissões e desperdícios estão diretamente ligadas ao comportamento operacional das máquinas. Ociosidade com motor ligado, operação fora do regime ideal, deslocamentos improdutivos e superdimensionamento de frota são práticas comuns que elevam o consumo de combustível e reduzem a eficiência energética.

Esses fatores, muitas vezes invisíveis sem dados confiáveis, representam oportunidades imediatas de redução de emissões quando monitorados e geridos de forma sistemática.

A ociosidade excessiva é um dos principais desafios ambientais das operações com máquinas móveis. Equipamentos parados, mas ligados, consomem combustível e emitem CO₂ sem gerar valor produtivo.

Com o uso de dados operacionais em tempo real, é possível medir a ociosidade por máquina, turno e frente de serviço, estabelecer limites aceitáveis e agir rapidamente sobre desvios. Reduções relativamente pequenas nesse indicador já geram impactos significativos tanto ambientais quanto financeiros, especialmente em operações de grande escala.

Outro ponto crítico é o superdimensionamento de máquinas. A falta de visibilidade sobre a utilização real da frota leva muitas operações a manterem mais equipamentos do que o necessário para cumprir suas metas produtivas.

A análise de dados operacionais permite identificar ativos subutilizados, redistribuir máquinas entre frentes e reduzir a necessidade de locações adicionais. A consequência direta é a diminuição do consumo de combustível, da emissão de gases e do custo operacional, sem prejuízo à produtividade.

Máquinas operando fora do regime ideal — seja por excesso de rotação, condução inadequada ou falta de padronização de turnos — consomem mais combustível e geram maior desgaste mecânico.

Indicadores operacionais permitem acompanhar padrões de uso, orientar operadores e padronizar boas práticas de operação. Esse tipo de ajuste operacional tem efeito rápido e direto na eficiência energética da frota.

A manutenção corretiva, além de gerar paradas não planejadas, impacta negativamente o consumo de combustível e as emissões. Máquinas com falhas ou baixo rendimento energético tendem a operar de forma menos eficiente.

Com dados operacionais, as empresas conseguem antecipar intervenções, manter a frota em condições ideais de funcionamento e reduzir desperdícios associados a falhas mecânicas. O resultado é uma operação mais estável e ambientalmente eficiente.

Uma tendência clara para 2026 é a incorporação de indicadores ambientais diretamente na gestão diária das operações. Métricas como consumo específico de combustível, emissões por máquina, eficiência energética e ociosidade passam a ser tratadas como KPIs operacionais — e não apenas como dados para relatórios anuais.

Essa integração acelera a geração de resultados e fortalece a governança ambiental das empresas.

Empresas que utilizam inteligência operacional aplicada a máquinas móveis conseguem, em poucos meses, reduzir consumo de combustível, diminuir emissões de CO₂ e melhorar a eficiência geral da operação. Além do impacto ambiental positivo, esses ganhos fortalecem a competitividade e a previsibilidade de custos.

Na prática, ESG em operações off-road começa com decisões baseadas em dados. Reduzir emissões e desperdícios não exige apenas novas tecnologias ou equipamentos, mas principalmente o uso inteligente dos ativos já existentes.

O primeiro trimestre de 2026 representa uma janela estratégica para transformar dados operacionais em impacto ambiental real — e para mostrar que sustentabilidade e eficiência podem caminhar juntas desde o chão da operação.

Vinicius Callegari é administrador

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