Depois do Master e Reag os olhos se voltam ao BRB

Escrito por
Gregório José producaodiario@svm.com.br
Jornalista
Legenda: Gregório José é jornalista

Os sinais estão aí, piscando em vermelho, mas muita gente ainda finge que é apenas uma lâmpada queimada. O sistema financeiro brasileiro entrou numa fase desconfortável, daquelas que não aparecem em propaganda de banco nem em comercial com gente sorrindo no celular. As instituições tradicionais estão acuadas. Fecham postos, fecham agências, pedem socorro e, quando a conta não fecha, pedem aporte. Muito aporte.

Enquanto isso, os bancos por aplicativo avançam como um exército silencioso. Não têm prédio, não têm gerente conhecido pelo nome, não oferecem cafezinho nem calendário de fim de ano. Oferecem algo muito mais valioso nos dias de hoje: menos custo, menos burocracia e mais velocidade. O cliente migra. O caixa esvazia. A agência vira despesa.

A Caixa já fechou portas em muitas localidades. O Banco do Brasil também. O discurso oficial fala em modernização, mas o subtexto é simples: manter agência custa caro e cliente físico virou exceção. O mesmo roteiro se repete no varejo. Magazine Luiza, Americanas e outras gigantes enxugam a máquina, cortam funcionários e encerram operações depois de perderem espaço para o mundo digital. Não é estratégia. É sobrevivência.

Agora, o foco do burburinho econômico atende por três letras: BRB. O Banco Regional de Brasília, que durante anos navegou com a bandeira do crédito público e da proximidade com o poder, aparece nos bastidores com a corda esticada. Bancou times de futebol e vôlei, torneios e vários eventos culturais. Fala-se em insuficiência patrimonial, um termo técnico que na prática significa que o banco perdeu mais do que podia perder. O patrimônio não cobre os riscos assumidos. E quando isso acontece, o relógio começa a correr contra.

Nos corredores, comenta-se que a situação se agravou depois de aventuras mal calculadas e tentativas de crescimento que custaram caro. O desempenho recente do banco não ajuda. Quem acompanha os números vê um tombo prolongado, uma erosão lenta que não se resolve com discurso otimista. O mercado percebe. Os investidores percebem. O Banco Central percebe.

E quando o Banco Central percebe, ninguém dorme tranquilo.

Oficialmente, o jogo de empurra continua. O governo federal diz que não interfere. O controlador local tenta ganhar tempo. Mas, nos bastidores, o telefone toca. Gestoras são acionadas. Captação emergencial vira palavra do dia. Setecentos milhões aqui, bilhões ali. Dinheiro público ou privado, pouco importa. O que importa é manter a porta aberta amanhã.

O problema vai além de um banco regional. Um banco público fragilizado não é apenas um problema contábil. Ele mexe com a confiança do sistema, pressiona governos, contamina fundos de pensão e obriga o regulador a agir. O efeito dominó é real, mesmo quando negado em notas oficiais.

Enquanto isso, o cliente comum segue com o aplicativo aberto no celular, fazendo Pix, investimentos e empréstimos sem saber que, do outro lado, o velho sistema bancário range. O dinheiro saiu do balcão, foi para a nuvem e deixou para trás prédios vazios, funcionários apreensivos e instituições que ainda não entenderam que o mundo mudou mais rápido do que seus balanços.

No Brasil, quando o sistema financeiro começa a pedir socorro em silêncio, o barulho costuma vir depois. E sempre chega caro.

Gregório José é jornalista

 
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