Reabertura da usina de Quixadá pode reaquecer a economia e gerar empregos no Ceará
Segundo especialistas, a retomada também deve reduzir custos e aumentar segurança energética no Estado.
A reabertura da usina de biodiesel em Quixadá impactaria positivamente a economia do Ceará, segundo fontes especializadas. Entre os benefícios estimados estão geração de empregos, ganhos em segurança energética e estímulo às cadeias produtivas locais.
Nessa sexta-feira (20), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou ao jornal Valor Econômico que a usina, desativada desde 2016, será reaberta.
Questionada sobre o tema, a Petrobras informou ao Diário do Nordeste que ainda conduz estudos para retomar a produção na unidade.
Contudo, detalhes sobre investimentos, geração de empregos e capacidade produtiva serão divulgados à medida que o projeto avançar (leia nota completa no fim deste texto).
A planta integra a subsidiária Petrobras Biocombustível S.A. (PBio), que conta com mais duas unidades no portfólio: em Montes Claros (MG) e em Candeias (BA).
Retomada reduziria dependência da importação
Caso concretizada, a recuperação da planta viria em um momento oportuno, analisa o engenheiro de petróleo e membro da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), Ricardo Pinheiro.
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Segundo o especialista, a usina pode trazer economia, renda e segurança energética para o Ceará, uma vez que o Estado passaria a não depender da importação do combustível.
Atualmente, o Brasil e o mundo vivem o aumento dos valores internacionais do petróleo, devido aos conflitos no Oriente Médio.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, na última quinta-feira (12), a redução de impostos sobre o diesel, com o objetivo de controlar o cenário, a Petrobras divulgou, um dia depois, um reajuste de R$ 0,38 no valor do litro do combustível vendido às distribuidoras.
A alta do diesel também é um dos motores para uma possível greve dos caminhoneiros neste ano. A categoria reclama do aumento no preço do combustível e reivindica isenção de impostos sobre o produto.
O impacto do biodiesel na cadeia de preços do Ceará
O biodiesel é um combustível biodegradável e renovável, produzido a partir de fontes orgânicas, como óleos vegetais ou gorduras animais.
No Brasil, ele é adicionado ao diesel A, combustível puro vendido pela Petrobras às distribuidoras. A mistura, chamada de diesel B, é o produto que chega aos postos e é utilizado pelo consumidor final.
Assim, não produzir biodiesel significa ter de importar de outros estados, o que encarece o preço final do produto, aponta Ricardo.
“Diante desse problema da guerra dos Estados Unidos com o Irã, que está causando um desabastecimento no Brasil, é necessário que a gente tenha outras alternativas ao diesel de petróleo. A gente teria uma maior segurança energética caso a unidade de biodiesel de Quixadá volte a funcionar”, ressalta.
O controle no valor do combustível beneficiaria não só consumidores individuais, lembra o engenheiro, mas também setores como o transporte, agricultura e energia, cujos equipamentos dependem, em grande parte, do produto.
O impacto no agronegócio cearense
Outra forma da agricultura sair ganhando é no mercado de plantas oleaginosas, como a mamona e a macaúba, utilizadas como matéria-prima para o combustível.
“Começa a justificar um novo mercado para o setor agrícola no estado. Gera mercado para a compra das plantas que produzem o óleo e acaba incentivando os agricultores”, explica.
A possibilidade do Ceará se tornar exportador do produto e a retomada de empregos no município também são benefícios indicados por Ricardo.
“Quando a unidade funcionava era muito melhor o comércio, tinham empregos de alto valor em Quixadá, e esses empregos foram perdidos. Tinha uma cooperativa que atendia aproximadamente 100 catadores, que coletavam óleo usado e era levado para a usina. Então, retomaria toda uma cadeia positiva de benefícios sociais, econômicos e ambientais”
Planta precisa de manutenção, diz Ineep
Segundo o Ineep, a reativação da unidade expande a produção de biocombustíveis no Nordeste. Isso desconcentra a oferta atual do Centro-Sul e permite diversificar as matérias-primas no processo produtivo.
A reabertura da unidade, destaca o instituto, também fortalece a integração entre ativos da Petrobras. Dessa forma, a usina de Quixadá poderá suprir biodiesel à Termoceará e fornecer insumos para projetos de descarbonização na refinaria Lubnor.
Na análise do Ineep, ainda que a usina esteja sendo submetida a rotinas de manutenção, a paralisação gera um processo de sucateamento e desconfiguração da planta.
“Alguns equipamentos originalmente instalados na unidade de Quixadá foram deslocados para atender demandas de outras plantas da PBio em Candeias e Montes Claros. Assim, a unidade, na prática, encontra-se, em certa medida, como um repositório de peças, comprometendo sua integridade industrial”, destaca.
Por essas razões, para a reativação da usina em Quixadá, o instituto considera necessária a realização de avaliações técnicas detalhadas.
Confira a nota da Petrobras na íntegra:
A produção da Usina de Biodiesel de Quixadá foi interrompida em 2016, em um contexto de desinvestimentos do Sistema Petrobras, somados à baixa competitividade do ativo, especialmente devido a dificuldades no fornecimento de matérias-primas.
A usina continua hibernada, com a manutenção dos equipamentos sendo realizada regularmente de modo a manter sua integridade.
A usina vem passando por reavaliações econômicas, motivadas principalmente pelo aumento da disponibilidade de matérias-primas na região, e encontra-se em fase preliminar de estudos técnicos para a retomada da sua operação.
As estimativas de valor a ser investido, geração de empregos, capacidade de produção, entre outras, serão divulgadas oportunamente com o avanço da maturidade do projeto.