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Pregões do BNB para Crediamigo e Agroamigo fracassam após desclassificação de empresas

Licitações estão avaliadas em R$ 2 bilhões e deveriam substituir as atuais operadoras Inec e Camed.

Escrito por Paloma Vargas paloma.vargas@svm.com.br
30 de Abril de 2026 - 15:44 (Atualizado às 19:42)
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Legenda: Dois pregões do BNB estão na mira do TCU por possíveis problemas nos editais.
Foto: Divulgação/Banco do Nordeste.

Os dois pregões do Banco do Nordeste (BNB) referentes à contratação das empresas para operacionalização dos programas Agroamigo e Crediamigo terminaram fracassados. 

O pregão do Crediamigo, realizado nesta quinta-feira (30), consta como fracassado no portal oficial compras.gov após a desclassificação de todas as propostas apresentadas.

O motivo da inabilitação foi a falta de cadastro das empresas concorrentes no Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO).

Já no pregão do Agroamigo, ocorrido nessa quarta-feira (29), o BNB divulgou fato relevante informando que o certame eletrônico foi encerrado sem sucesso. 

"Após a realização das diligências e da análise das condições de participação previstas no edital, verificou-se que nenhuma das licitantes atendeu aos requisitos necessários", informou o banco. 

As duas licitações estão avaliadas em R$ 2 bilhões e devem substituir as atuais operadoras Inec e Camed. As gerenciadoras dos programas de microcrédito do BNB movimentaram cerca de R$ 20 bilhões no ano passado.

As duas atuais operadoras dos programas, Inec e Camed, nem chegaram a participar dos certames.

Licitações são alvo do TCU

O processo chegou a ser adiado pelo BNB de sua data original (22 de abril) sob a justificativa de "medidas administrativas" para rerratificar o cronograma de transição.

O adiamento ocorreu pouco após uma instrução técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) recomendar a suspensão dos editais por indícios de irregularidades.

Questionamentos do TCU

Em nota, o TCU afirmou que o tema está sob análise sob relatoria do ministro Benjamin Zymler. De acordo com o despacho cautelar (único documento público disponível até o momento), o relator identificou o que chamou de "fumaça do bom direito" em relação a possíveis restrições à competitividade.

O TCU questiona exigências financeiras elevadas, que, segundo o tribunal, podem ser excessivamente gravosos, a ponto de nem as atuais prestadoras conseguirem atender.

Além disso, o TCU questionou a exigência do BNB de comprovação de experiência de três anos utilizando, no mínimo, 10% do total de profissionais a serem alocados (cerca de 582 profissionais para o Crediamigo), o que foi visto pelo tribunal como um critério de porte operacional convertido em requisito setorial estrito para favorecer quem já opera o serviço.

Questionado sobre como os novos fatos devem ser tratados, o TCU informou em nota que "o processo ainda não foi julgado no mérito e não há prazo definido para que isso ocorra".

O deputado federal Murillo Gouvea (RJ) chegou a classificar o edital como um "deserto por desenho", alegando que as cláusulas de habilitação foram estruturadas propositalmente para afastar novos competidores e favorecer a manutenção das atuais operadoras.

O que acontece a partir de agora?

Em nota, o BNB informa que !realizará novas licitações para contratação de entidades responsáveis pela operacionalização dos Programas Agroamigo e Crediamigo, cujos editais serão oportunamente divulgados, em conformidade com os parâmetros legais e com as recomendações dos órgãos de controle".

Leia nota completa do BNB

O Banco do Nordeste informa que realizará novas licitações para contratação de entidades responsáveis pela operacionalização dos Programas Agroamigo e Crediamigo, cujos editais serão oportunamente divulgados, em conformidade com os parâmetros legais e com as recomendações dos órgãos de controle.

O atendimento aos microempreendedores e agricultores (as) familiares permanece plenamente preservado. Os instrumentos vigentes garantem a manutenção integral dos serviços, sem qualquer interrupção.

No que se refere aos certames realizados nesta semana para esta finalidade, o Banco esclarece que os Pregões Eletrônicos nº 90023/2026, relativo ao Agroamigo, encerrado em 29 de abril, e nº 90024/2026, relativo ao Crediamigo, encerrado em 30 de abril, foram fracassados, uma vez que, após a realização das diligências e a análise das condições de participação previstas em edital, constatou-se que nenhuma das licitantes atendeu aos requisitos técnicos e legais exigidos.

Os procedimentos foram conduzidos em estrita observância aos respectivos editais e ao marco legal aplicável às contratações de empresas estatais, notadamente a Lei nº 13.303/2016, bem como às determinações dos órgãos de controle, em especial ao Acórdão nº 2.906/2025 do Tribunal de Contas da União (TCU).

O Banco do Nordeste esclarece que os modelos de contratação adotados foram precedidos de análises técnicas e submetidos previamente à Controladoria-Geral da União (CGU), que não apontou óbices à sua conformação, reafirmando a regularidade e a diligência na condução dos processos.

A Instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a boa governança e o fiel cumprimento das recomendações dos órgãos de controle, mantendo a sociedade informada sobre eventuais desdobramentos relevantes.

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