Pecém I e II podem ser desligadas
Com a constante redução do nível dos reservatórios hídricos do Ceará, o governo já considera a possibilidade de pedir o desligamento temporário das usinas termelétricas de Pecém I e II, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). Em entrevista a uma rádio do Estado, o secretário de Recursos Hídricos do Estado, Francisco Teixeira, afirmou que se não houver recursos financeiros para buscar fontes alternativas que garantam água para as usinas, "a saída vai ser desligar as termelétricas e buscar outras fontes de energia".
Segundo Teixeira, se a alternativa for pelo desligamento, a expectativa é de que a autorização pelo Governo Federal seja dada já nas primeiras semanas de 2017. "Uma decisão de autorizar o desligamento é feito dentro (de procedimentos) técnicos, sem precisar judicializar o processo, sem precisar de questionamento. O Estado quer o diálogo", disse.
Caso o desligamento temporário não seja autorizado, o Governo do Estado estuda pedir auxílio financeiro à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ao Ministério de Minas e Energia e à administradora das usinas, para realizar a perfuração de poços ou outras ações emergenciais para compensar o uso de água das térmicas. "Não adianta o Estado fazer um esforço muito grande para garantir a térmica funcionando porque tirar água da população de Fortaleza para garantir a termelétrica, isso nós não vamos fazer", disse.
Questionada sobre a possibilidade de desligamento, a EDP, que administra as usinas, respondeu apenas que "A operação continua normalmente, conforme despacho do Operador Nacional do Sistema (ONS)".
Pedido de desligamento
No dia 13 de outubro, as térmicas Pecém I e Pecém II já haviam solicitado à Aneel o desligamento das turbinas. À época, as usinas informaram que não teriam mais condições de continuar em funcionamento, caso o preço da energia que vendem não seja reajustado para acompanhar o aumento do custo da água no Estado, devido o Encargo Hídrico Emergencial. O volume usado pelas térmicas equivale a 6% do consumo residencial diário de Fortaleza. A fatura referente ao mês de setembro chega a R$ 1,308 milhão decorrente do consumo de água, mas acrescenta outros R$ 9,125 milhões relativos ao novo encargo.