Indústria espera ano melhor, após pequena reação em 2017
Avanço registrado pelo setor cearense nos primeiros nove meses deste ano ficou acima da média nacional
Setor que vem transformando a economia do Ceará, a indústria acumulou de janeiro a setembro um crescimento de 3,6% da produção física, após dois anos consecutivos de quedas significativas. Nos primeiros nove meses deste ano, o setor no Estado apresentou crescimento superior ao do País e ao do Nordeste.
"No que se refere à Produção Física Industrial, verifica-se, de maneira geral, um movimento de recuperação, com a predominância de taxas de variação positivas nos últimos meses", destacou o Ipece no documento Farol da Economia Cearense, do início deste mês.
Ritmo poderia ser melhor
No entanto, para o presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Beto Studart, a recuperação neste ano foi aquém do que era esperado. "Neste ano, nós sentimos que a economia começou a dar um inflexão e que a indústria começa a dar sinais positivos de crescimento. Não foi no ritmo que a gente esperava, mas temos que agradecer que as coisas estão retomando. E para 2018, acredito que depois do segundo semestre, com um cenário eleitoral mais consolidado, a gente pode ter um céu de brigadeiro", diz Studart. "Além disso, a empregabilidade é fundamental para essa melhora. E o nível de emprego já está melhorando", avalia.
No ano, segundo dados do Ipece, o setor da indústria acumula queda de 1,57%, enquanto no acumulado de 12 meses a retração é de 3,46%. Entretanto, o resultado do terceiro trimestre, que registrou alta de 0,38%, já mostra uma sinalização de melhoria para o setor, que nos três trimestres anteriores havia registrado queda. O presidente da Fiec destaca ainda que o impacto da Selic próxima a 7% permite que haja recurso para investimentos. "Com essa taxa a gente tem maior capacidade para suportar o endividamento. E isso é muito importante".
Destaque e expectativa
A exemplo do que ocorreu em 2017, o grande destaque da indústria cearense será a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), que responde por aproximadamente metade do PIB da indústria do Estado, e por metade do valor exportado pelo Ceará. No entanto, o governo deve fechar em 2018 o contrato para a instalação de uma refinaria de petróleo e de uma empresa petroquímica no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). Investimentos que deverão atrair novas empresas além de estimular o setor da construção civil. Entre os segmentos que devem se destacar no cenário esperado pela Fiec para 2018, Studart cita aqueles cuja produção está voltada para o mercado internacional, como o de calçados e siderúrgico. "Os que dependem mais do mercado interno estão com mais cautela, como é o caso da construção civil, que depende de muita mão de obra e ainda não se posicionou positivamente", diz.
Much
De acordo com o economista Guilherme Muchale, da Fiec, tanto no Brasil como no Ceará a indústria é o setor mais otimista para o ano que vem. No Estado, a expectativa é de crescimento de 3% para 2018.
Acima de anos anteriores
"A indústria deve conseguir fechar o próximo ano com um bom resultado e trazer esse impacto para o mercado de trabalho, que tiveram em agosto e outubro seus melhores meses", ele diz. "De todo modo, o grau de confiança do empresário industrial neste ano já está bem acima dos anos anteriores", considera.
Segundo divulgou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) na última quinta-feira (13), a estimativa para o ano de 2018 é de um crescimento de 3% da indústria do País. Para este ano, a projeção é de um avanço em torno de 0,2%.
Reforma
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, nos últimos três anos, o setor acumulou retração de 10,9%. A CNI ressalta, no entanto, que as projeções levam em consideração a aprovação da Reforma da Previdência, cuja votação no Congresso, o governo adiou para 19 de fevereiro de 2018.
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