Exportações cearenses crescem 9,7% em março
Apesar do resultado, a balança comercial ficou negativa, devido à importação de US$ 251,8 milhões
Um mês após atingir o maior superávit desde 2014, a balança comercial cearense voltou a registrar queda em março, com um déficit de US$ 59,3 milhões. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o Estado exportou US$ 192,5 milhões no mês, 9,7% a mais que em fevereiro, e importou US$ 251,8 milhões, quase o dobro que no mês anterior.
No resultado do primeiro trimestre de 2017, o déficit já soma US$ 57,7 milhões. Foram exportados US$ 524,3 milhões pelo Estado nos três primeiros meses do ano, 120,5% a mais que no mesmo período do ano passado. Já em relação ao volume de importações, a soma chegou a US$ 582,1 no primeiro trimestre, valor 16,41% maior que em janeiro, fevereiro e março de 2016.
De acordo com o economista e consultor internacional Alcântara Macedo, o déficit registrado se deu por conta do aumento substancial de importações de matéria prima para a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e outras empresas em instalação na região. De fato, o produto mais importado em março pelo Ceará foi a hulha betuminosa não aglomerada, insumo para a Siderúrgica, que movimentou US$ 66,2 milhões em março, 152% a mais que no mês anterior.
"O pessoal da área de ferro importou em quantidades substanciais para produzir para o mercado interno. No entanto, com o aumento das operações da Siderúrgica, a tendência é que a balança comercial do Ceará seja superavitária. Basta observar que nos meses de janeiro, fevereiro e março já houve aumentos substanciais em volume de exportação decorrentes do início das vendas da CSP", destaca o consultor.
Cenário
Macedo aponta que os produtos tradicionais de exportação, como têxtil e calçados, têm sofrido restrições no mercado externo, impactando negativamente a balança. Ainda assim, ele prevê que, conforme a CSP vá aumentando a produção e com a ampliação das empresas instaladas na Zona de Processamento e Exportação do Ceará (ZPE-CE), o resultado da balança comercial de 2017 será bem melhor que do ano passado, podendo até ser superavitária.
A última vez que o Ceará apresentou um resultado positivo anual na balança comercial foi em 2005, quando registrou saldo de US$ 345 milhões. No ano passado, o déficit foi de US$ 2,1 bilhões, 33,5% acima do registrado em 2015.
Principais produtos
Do valor total das exportações do Estado em março, 58,6% corresponde a outros produtos semimanufaturados, de ferro ou aços, não ligados, impactado principalmente pela produção da Siderúrgica, que movimentou US$ 112,9 milhões.
Em seguida, aparecem itens como a castanha de caju (US$ 7,8 milhões), calçados de borracha ou plástico (US$ 7,7 milhões), ceras vegetais (US$ 6 milhões) e suco ou sumo de qualquer fruta (US$ 5,8 milhões).
Importações
Já das importações do Estado, além da hulha betuminosa, também aparecem no ranking gás natural liquefeito (US$ 61,3 milhões); outros trigos e misturas de trigo com centeio (US$ 16,2 milhões); algodão não cardado, nem penteado (US$ 11,3 milhões); outras hulhas, mesmo em pó, mas não aglomeradas (US$ 5,8 milhões) e outras turbinas a gás, de potência maior que 5.000 kW (US$ 5 milhões).
Destinos
No acumulado do primeiro trimestre deste ano, o principal destino das exportações cearenses foram os Estados Unidos, para onde foram enviados US$ 115,6 milhões em produtos, o equivalente a 22,06% do total exportado pelo Estado.
Em seguida aparecem o México (US$ 58,3 milhões); Turquia (US$ 54,4 milhões); Itália (US$ 48 milhões); e Coreia do Sul (US$ 29,2 milhões).
Em relação ao total importado pelo Estado, US$ 93,5 milhões em produtos vieram da China, o equivalente a 16% das importações cearenses. Em seguida, aparecem a Colômbia (US$ 83 milhões); Estados Unidos (US$ 81,7 milhões); Austrália (US$ 69,2 milhões); e Nigéria (US$ 57,2 milhões).
Colocação reconquistada
Relatório elaborado pelo Centro Internacional de Negócios da Fiec com base nos dados do ministério ainda informam que o "Ceará retomou sua colocação tradicional no ranking dos estados exportadores brasileiros". O Estado voltou à 14ª posição, à frente de Pernambuco.
