Energia limpa: meta do Ceará é gerar 22 mil MW em 2035
Governo teve encontro com setor de energia e apontou a necessidade de R$ 200 milhões para alavancar geração
O Governo do Estado quer recolocar o Ceará na liderança de geração de energia renovável no País e está elaborando um Plano Estadual de Energia, no qual estabelece metas de curto, médio e longo prazo, para estimular a produção, fomentando investimentos privados e dando mais agilidade a licenças e outras questões burocráticas. O documento, que deve ser apresentado nos próximos 45 dias, está sendo elaborado em parceria com o governo federal, entidades de classe e instituições ligadas ao setor energético. A meta é passar dos atuais 3,4 mil Megawatts (MW) de energia renovável para 22 mil MW em 2035.
Para André Facó, titular da Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra), o Ceará tem como recuperar a liderança nacional no curto prazo, principalmente devido às condições climáticas. Um dos principais gargalos para o desenvolvimento do setor no Estado, diz Facó, é a falta de infraestrutura de transmissão. "Hoje você tem a possibilidade de ter quase 4 mil MW de projetos eólicos já aprovados, mas hoje nós não temos pontos de conexão", disse ontem, após reunião com representantes nacionais e locais do setor.
A estimativa da Seinfra é de que para que esse potencial seja instalado sejam necessários investimentos da mais de R$ 200 milhões em linhas de transmissão, por parte do Governo Federal. "Queremos que isso seja autorizado e, em até 36 meses, a gente já tenha essa disponibilidade. Esses R$ 200 milhões vão possibilitar investimentos de R$ 20 bilhões em empreendimento de energias renováveis", diz.
Atualmente, o Estado tem R$ 4 bilhões de investimentos em andamento. "Hoje poderíamos estar com R$ 19 bilhões se a gente tivesse essas obras de infraestrutura que garantissem as linhas de transmissão e as subestações", disse Nicolle Barbosa, secretária de Desenvolvimento Econômico do Ceará, que apresentou a economia de energia no Estado, para os representantes do setor.
Investimentos
Para este ano, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) fará um investimento de R$ 180 milhões no Ceará, em obras de infraestrutura.
Para 2016, o investimento na ampliação de subestações será de mais de R$ 200 milhões. Nos últimos dez anos, a Chesf investiu cerca de R$ 870 milhões no Estado. "A Chesf participará (do Plano Estadual de Energia) com estudos no sentido de encontrar novas soluções participando do plano estratégico do Governo do Estado", afirmou o diretor presidente da Chesf José Carlos de Miranda Farias.
Pensado para os próximos 20 anos, o Plano Estadual de Energia pretende alavancar a produção de energia renovável no Ceará. Segundo Facó, a meta é passar dos atuais 3,4 mil MW de geração para 22 mil MW em 2035. "Isso traz a possibilidade de agregar investimentos, que não são necessariamente do governo, por meio de serviços de manutenção, por exemplo, que ultrapassa mais de R$ 5 bilhões/ano. É uma indústria", diz Facó.
Segundo Renato Rolim, secretário adjunto de Energia, Mineração e Telecomunicações da Seinfra, as obras de curto prazo para o setor no Estado irão demandar investimentos da ordem de R$ 200 milhões. Obras emergenciais, como troca de transformadores e reposição de linha, vão demandar outros R$ 300 milhões. "Então, no curto prazo, vamos ter obras da ordem de R$ 700 milhões. No médio prazo vamos ter obras da ordem de R$ 600 ou R$ 700 milhões. E a longo prazo, que são obras para quatro anos, da ordem de R$ 2 bilhões", disse o adjunto.
Em fevereiro de 2016, diz Rolim, um investimento feito pela iniciativa privada com o apoio do Ministério do Planejamento, que inclui outros dois estados além do Ceará, irá receber R$ 2 bilhões. "Há 20 anos, o Ceará era líder em energias renováveis. Hoje somos o quarto no ranking brasileiro, em geração de energia eólica. Mas temos um potencial muito grande de recuperar isso no curto prazo, tendo em vista a nossa a vocação. Temos sol e vento", disse Facó.
Encontro
Para debater o documento, o governador Camilo Santana recebeu, na manhã de ontem, no Palácio da Abolição, secretários, representantes de órgãos estaduais e federais e investidores ligados ao setor de energia elétrica para traçar um panorama da atual situação das ações e obras da Rede Básica no Ceará.
No encontro, também foi debatida a criação do Comitê de Monitoramento de Obras do Setor Elétrico no Estado do Ceará, que contará com a participação de todos esses atores e terá o objetivo de acompanhar e avaliar permanentemente as ações.
Participaram do encontro representantes do Ministérios das Minas e Energia, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Chesf e Eletronorte; entidades de classe como a FIEC, APRECE, Fecomércio e CDL, BNB, Absolar, Abeeólica, e empresas ligadas ao setor energético.