Chuvas serão determinantes para expansão da agricultura

Setor da economia cearense que mais cresceu em 2017, com avanço de 29,68% no acumulado dos três primeiros trimestres do ano e de 20,80% no acumulado dos últimos 12 meses, a agropecuária deve avançar ainda mais em 2018, caso se confirme o cenário de chuvas esperado. O expressivo crescimento de 2017 se deu mesmo com a ausência de boa parte da produção da fruticultura irrigada, devido a escassez hídrica. Mas com a volta das chuvas, grandes empresas do setor devem retomar a produção no Estado.

"As nossas perspectivas são muito melhores para 2018. E os dados nos quais eu me fundamento são as observações das entidades meteorológicas", diz Flávio Saboya, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec). "Então, nós estamos com muita esperança. Imagino que teremos uma melhora significativa em relação a 2017". Segundo o presidente da Faec, em 2017 apenas as regiões do Cariri e da divisa com o Piauí tiveram chuvas dentro da média histórica.

Fruticultura

Um dos segmentos mais relevantes da agricultura e um dos principais exportadores do Estado, a fruticultura irrigada, em particular os produtores de melão, mamão e melancia, acabaram migrando para outros estados por conta da seca. "No nosso caso, a gente saiu 100% do Ceará por falta de água, e não estamos exportando, porque a nossa exportação era da produção do Ceará", diz Tom Prado, diretor da Itaueira Agropecuária. A empresa levou a produção do Ceará para os estados do Piauí, Bahia e Rio Grande do Norte. "A perspectiva para 2018 é mais otimista porque a gente acredita que possa chover bem, mas ainda não há dados concretos sobre isso".

Segundo Flávio Saboya, com a saída de algumas empresas do Estado, mais de 1,5 mil famílias perderam seus empregos. "O setor praticamente parou a atividade neste ano. A nossa esperança é que voltando o abastecimento das grandes barragens, nós tenhamos a liberação das outorgas para os produtores", diz.

Pecuária

De acordo com dados do Ipece, o setor agropecuário do Estado começou a mostrar sinais de recuperação a partir do segundo trimestre deste ano, quando cresceu 58,65%. E os segmentos de maior destaque em 2017 foram os produtores de leite e de ovos.

"A pecuária teve, de certa forma, uma oferta maior em 2017, na comparação com os anos anteriores, e isso deu uma certa tranquilidade ao setor", diz Flávio Saboya.

Mas assim como acontece com a agricultura, o grande problema foi a escassez hídrica, que também afetou o consumo animal. Por isso, as chuvas serão determinantes em 2018, tanto para a agricultura como para a pecuária. 

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