Três remédios para HIV estão com baixo estoque no CE; pacientes temem descontinuidade de tratamento

Lamivudina, Raltegravir - medicamentos distribuídos pelo Ministério da Saúde- devem ter o estoque reposto ainda em dezembro. Etravirina tem a previsão para a primeira quinzena de janeiro de 2021. O Kaletra, remédio para crianças com HIV/Aids, acabou e não há data para reposição

Legenda: A distribuição do Kaletra, que está em falta, é feita no Hospital São José. A Sesa aguarda o repasse pelo Ministério da Saúde
Foto: Foto: Helene Santos

Três medicamentos antirretrovirais para pacientes com HIV/AIDS estão com o estoque insuficiente no Ceará. Um outro remédio destinado às crianças soropositivas está com estoque zerado. O núcleo estadual da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+CE) enviou um ofício ao Ministério da Saúde (MS) cobrando informações sobre a reposição dos remédios, essenciais aos usuários. 

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) confirma que o estoque está abaixo e informou, em nota ao Sistema Verdes Mares, que a previsão de chegada do Lamivudina e do Raltegravir é dia 22 de dezembro, enquanto o Etravirina deve chegar até a primeira quinzena de janeiro de 2021. 

O Kaletra, um medicamento para crianças com HIV/Aids, e entregue no Hospital São José, está completamente em falta. A Sesa informou que ainda não há previsão para o recebimento do remédio e está no aguardo do repasse pelo Ministério da Saúde. Questionado sobre os atrasos e a falta no repasse dos medicamentos, o Ministério da Saúde ainda não respondeu.

Prejudicial

Devido ao baixo estoque, os usuários que deveriam receber o necessário para 90 dias estão recebendo para apenas 30. A distribuição fracionada prejudica o tratamento dos pacientes, de acordo com Melissa Medeiros, médica infectologista do Hospital São José (HSJ).

"Com a Pandemia da Covid-19, os pacientes se preocuparam em ir buscar seus medicamentos justamente com medo do contágio. E se esse período diminui de 90 para 30 dias, eles precisam ir mensalmente ao local de entrega", reforça ela. A exposição ao novo coronavírus que deveria acontecer uma vez a cada três meses, agora, tem que ocorrer uma vez por mês.

Melissa, que acompanha pessoas que vivem com HIV no estado, aponta ainda outro problema: a pressão seletiva, que ocorre quando a ausência do medicamento faz com que o vírus HIV "entenda como ele funciona" e se torne resistente. Com isso, pacientes teriam que trocar seus remédios por outros, o que atrasaria o tratamento. 

"Estamos muito preocupados, pois sem o repasse, as milhares de pessoas soropositivas que vivem no estado podem perder o controle do vírus no organismo", teme Vando Oliveira, Coordenador da RNP+CE. 

No ofício enviado ao Ministério da Saúde, a Rede Nacional frisa que "em plena campanha do Dezembro Vermelho, mês de luta contra a Aids, o Governo Federal vai na contramão dos direitos das pessoas com HIV, violando leis que tanto o movimento lutou para conquistar". 

Há uma semana, o Ministério da Saúde deixou vencer uma licitação de exames de genotipagem para pessoas que vivem com HIV, Aids e hepatites virais no Sistema Único de Saúde (SUS). A genotipagem é essencial para adequar o tratamento aos pacientes. A RNP+CE vê na suspensão dos testes uma “demonstração de irresponsabilidade do Governo”. 

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