Segundo lote de vacinas, primeiro da AstraZeneca, chega ao Ceará

Nova remessa de 72,5 mil doses que chegou no fim desse sábado deve reforçar a imunização de grupos prioritários no Estado. Balanço parcial indica que, até ontem, mais de 33 mil cearenses haviam recebido a Coronavac.

Vacinas da Oxford/AstraZeneca foram enviadas do Rio de Janeiro após inspeção da Fiocruz
Legenda: Vacinas da Oxford/AstraZeneca foram enviadas do Rio de Janeiro após inspeção da Fiocruz
Foto: Fabiane de Paula

O segundo lote de vacinas contra a Covid-19 desembarcou no Aeroporto Internacional de Fortaleza, na noite desse sábado (23), e será distribuído para municípios cearenses nos próximos dias. Desta vez, são 72.500 doses do imunizante - nono maior montante do País - produzido pela farmacêutica AstraZeneca junto à Universidade de Oxford, que vieram da Índia e chegaram ao Brasil na última sexta-feira.

No primeiro lote, que chegou no dia 18 de janeiro, o Ceará recebeu 218 mil doses importadas da Coronavac, produzida pela empresa chinesa Sinovac. Até as 12h20 de ontem, 33.689 doses dela haviam sido aplicadas em todo o Estado, conforme as secretarias municipais de Saúde.

Da Base Aérea do Rio de Janeiro, 2 milhões de vacinas da AstraZeneca seguiram em caminhões para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para checagem de qualidade e segurança, etiquetagem e rotulagem. Em seguida, começaram a ser distribuídas aos estados. No Ceará, o governador Camilo Santana e o prefeito de Fortaleza, Sarto Nogueira, acompanharam o pouso da aeronave, que ocorreu às 22h09.

Após o desembarque, quatro volumes foram enviados, em caminhão com escolta policial, à Central de Distribuição de Medicamentos da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).

"A Secretaria vai definir quem vai receber. Vamos poder avançar na vacinação dos grupos da primeira fase: profissionais da saúde, idosos e indígenas. Deverá ter critérios para a distribuição da segunda dose, mas ela tem uma vantagem. Vamos poder usar todas as doses porque a segunda pode ser aplicada em até 90 dias", explicou Camilo.

A logística de distribuição no Ceará utiliza aeronaves da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), caminhões e carros, tanto do Estado como dos municípios. Conforme a Sesa, foram estabelecidos oito itinerários, dos quais seis aéreos e dois terrestres, rumo as 20 cidades-sede das Áreas Descentralizadas de Saúde (ADS). Em seguida, cada prefeitura manda buscar os imunizantes para iniciar a vacinação nas cidades.

Segundo o Plano Estadual de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 da Sesa, o esquema de vacinação dessa vacina também corresponde a duas doses, com intervalo de 28 dias entre elas. O prazo de validade após a abertura do frasco é de seis horas, se for armazenada em temperaturas entre +2°C a +8°C. Ela apresenta eficácia de 73% de proteção 22 dias após a primeira dose, segundo a Fiocruz, e foi aprovada para uso emergencial no País pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Mais doses

A Fiocruz planeja entregar ao Sistema Único de Saúde (SUS) 210,4 milhões de doses da mesma vacina. O acordo de produção com a AstraZeneca deve atingir uma primeira entrega de 50 milhões de doses e, escalonando até 100,4 milhões em julho. Com a transferência da tecnologia para o Brasil, a meta é produzir mais 110 milhões de doses ao longo do segundo semestre. Na sexta, a Anvisa também liberou o uso emergencial de mais 4,1 milhões de doses da Coronavac, agora produzidas pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Desse total, 900 mil já foram entregues, e parte deve ser remetida aos estados. Outras 3,2 milhões de doses ainda vão passar por um processo de inspeção de controle de qualidade.

Leitos

A ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em Fortaleza ultrapassou 80% na tarde deste sábado, de acordo com atualização da plataforma IntegraSUS, alimentado pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), às 17h. Em cinco hospitais da Capital cearense, não há mais vagas disponíveis no suporte avançado à vida.

A análise leva em consideração nove hospitais com leitos para Covid-19 ativos, sendo quatro particulares e cinco públicos. Dos 224 leitos de UTI disponíveis nas unidades, 186 tinham pacientes acolhidos, totalizando índice de 83,04%. Em UTIs para adultos, a ocupação é de 84,4%; já em UTIs infantis, atinge 95,83%.

Em três dos quatro hospitais privados informados, no Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara e no Hospital São José de Doenças Infecciosas, a ocupação já atingiu 100%. Dos 38 leitos vagos na cidade, 23 estão em uma unidade privada e mais 15 distribuídos em duas da rede pública.

O Hospital Estadual Leonardo da Vinci (HLV), referência no tratamento da doença, atingiu 91% da assistência. Por lá, dos 68 leitos de UTI ativos, 62 eram utilizados. Já no Instituto Dr. José Frota (IJF), os 22 leitos ocupados dos 30 ativos representam uma taxa de ocupação de 73%. No Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), apenas uma das 24 UTIs estava disponível.

Ainda conforme o IntegraSUS, a ocupação média de leitos de enfermaria para Covid-19 na Capital está em 71%. Tanto entre as entidades privadas como na rede pública, o índice está em torno de 82%. Em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), 26 pacientes com Covid-19 estavam em atendimento, três deles com necessidade de auxílio respiratório.

Reforço

Há dois dias, o Governo do Estado anunciou a reativação de 211 leitos exclusivos para Covid-19 nas cinco regiões de saúde do Ceará, após o aumento recente da positividade de casos. Na região de Fortaleza, que abrange a Capital e mais 43 municípios, o aumento será de 89%, passando de 181 para 343 UTIs. A reestruturação da rede hospitalar deve ocorrer num prazo de até 15 dias, segundo a Sesa.

Junto ao reforço de leitos, o governador Camilo Santana declarou que o Estado vai ser mais rigoroso na cobrança de medidas preventivas e em fiscalizações. Por novo decreto estadual, está proibido o uso de áreas comuns de lazer em condomínios de praia. O governador também recomendou evitar viagens intermunicipais, sobretudo de Fortaleza para o Interior.

Na Capital, órgãos fiscalizadores também vão intensificar operações em locais previamente mapeados onde aglomerações são frequentes. A partir deste fim de semana, por força de um decreto da Prefeitura de Fortaleza, também se tornaram proibidas a venda e o consumo de bebida alcoólica em ambientes abertos após as 22h. Tanto estabelecimentos como indivíduos podem ser autuados.

Entre as áreas no radar da vigilância, estão as Praias de Iracema e do Futuro, a Beira-Mar, praças e bares do bairro Benfica e corredores comerciais das avenidas Washington Soares, Oliveira Paiva e Osório de Paiva. Postos de gasolina também devem ser alvo de operações.

Na semana de 10 a 16 de janeiro, o Ceará registrou aumento de 121,7% no número de casos confirmados de Covid-19. Por outro lado, as mortes pela doença caíram 32,1%, conforme o último boletim epidemiológico semanal da Secretaria da Saúde.

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