Secretaria avalia cenário de redução de 70% nos casos de dengue durante quadra chuvosa

Fatores como redução de sorotipos e ações de prevenção contribuíram para diminuição dos números. Situação ainda demanda cuidados

Legenda: Trabalho de fiscalização ocorre em diferentes momentos do ano
Foto: Thiago Gaspar

Em meio ao cenário da pandemia da Covid-19, os cuidados com outras doenças não podem ficar em segundo plano. No Ceará, que atualmente está no período da quadra chuvosa, que se estende até o mês de maio, o número de casos de dengue teve uma redução de 73,48%, em comparação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). 

Segundo Nélio Morais, titular da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covis), um dos fatores que colaborou para a redução foi a vigilância realizada durante a "operação inverno”, que ocorreu entre dezembro de 2020 e fevereiro deste ano. Além disso, fatores naturais também tiveram participação, como a redução do sorotipo 1 da dengue, que predominou nos últimos oito anos, e o retorno do sorotipo 2, que não consolidou força de transmissão na população. 

Apesar do bom resultado até o momento, Nélio destaca que 2021 ainda não está consolidado e apenas ao final de julho se poderá dar uma análise precisa sobre o período de prevenção. “Dengue é uma doença gravíssima, que pode levar o paciente à morte. Não podemos ter, na cidade de Fortaleza, duas epidemias paralelas, como a Covid-19, que é o maior desafio sanitário do mundo, e a dengue”, alerta.

Nélio também comenta que cuidados maiores estão sendo realizados em bairros de Fortaleza com maiores números de casos confirmados, como Mondubim, Jangurussu e Bonsucesso. 

Participação coletiva

Cerca de 80% dos focos do mosquito aedes aegypti são encontrados dentro de residências. Dessa forma, a participação da sociedade é fundamental para o controle das doenças, assim como da intersetorialidade das secretarias municipais em realizar o trabalho de fiscalização. Entre as ações estão reuniões mensais do Comitê Intersetorial de Arboviroses, que realiza avaliações periódicas da Capital.  

Em relação aos desafios enfrentados em 2020 por conta do novo coronavírus (Sars-CoV-2), um dos primeiros foi a redução da força de trabalho, pois os agentes de endemia na faixa etária da terceira idade e com comorbidades tiveram que ser afastados do campo. Além disso, havia restrições para não entrarem diretamente nos imóveis, somente em anexos, como quintais. 

“O trabalho com a dengue é permanente, diário, mensal, anual”, relata Nélio. O titular informa que, a partir do início de agosto, já é iniciado o planejamento de atividades referentes ao período de inverno do ano seguinte.  

“A conscientização da população é o ponto mais estratégico para o controle das arboviroses. A cidade de Fortaleza tem colaborado muito, se não fosse isso, nós não estaríamos nesses últimos oito anos numa relativa situação confortável em relação ao Brasil, que padeceu das suas maiores epidemias de dengue no período 2013 a 2019”, comenta.

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