Saiba como diminuir os riscos de contágio da Covid-19 durante o Enem

Médico infectologista reúne uma série de importantes orientações voltadas para estudantes, pais e responsáveis. As provas serão aplicadas nos próximos dias 17 e 24

Escrito por Redação,

Metro
Legenda: Anualmente, milhares de estudantes fazem as provas do Enem o que gera aglomerações
Foto: José Leomar

Após ser adiado durante o ano passado, por causa da pandemia de Covid-19, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para os dias 17 e 24 de janeiro, voltou a ser alvo de críticas nas redes sociais.  

Nessa sexta-feira (8), a Defensoria Pública da União entrou com uma ação na Justiça para um novo adiamento, tendo em vista o retorno do número crescente de casos de Covid-19 pelo País. No entanto, até agora, as datas de aplicação das provas se mantêm.  

O Diário do Nordeste conversou com o médico infectologista Roberto da Justa para saber como reduzir os riscos de contágio para quem fará o exame de maneira presencial. Confira: 

  • Antes mesmo de chegar ao local de prova, muitos estudantes se deparam com ônibus lotados e multidões à espera da abertura dos portões. Nesses casos, como se proteger do vírus da melhor maneira? 

Essa primeira etapa de deslocamento naturalmente envolve riscos, pois milhares de pessoas vão fazer essa prova. O fato de ser no domingo é um atenuante, já que o transporte público nesse dia costuma ter menos concentração de pessoas. É importante que o poder público seja cobrado para que haja maior quantidade desses veículos para a diminuição da aglomeração.  

É importante que o candidato que precise usar o transporte público use máscara, obviamente, e higienize as mãos com álcool gel. Se puder, opte pelo descolamento por outros meios, como automóveis particulares ou mesmo de bicicleta, que são formas de deslocamento mais seguras.  

Nesses dias, é muito comum que a família queira apoiar o estudante, há esse engajamento, mas o ideal é que os pais e familiares não fiquem nos locais de prova, só se dirijam para deixar ou buscar, até porque os pais são mais vulneráveis que os jovens. 

  • Na maioria dos prédios onde o exame é aplicado os ambientes são fechados, podendo ter ar condicionado ou ventilador. Qual a probabilidade de infecção nesses casos? 

Essa é uma questão que me preocupa muito e aos especialistas de uma maneira geral. Entendemos que há uma pressão para a realização dessas provas, mas acho que não deveria ocorrer. Ainda há tempo para pressionar as instituições que vão acolher as provas e o próprio Ministério da Educação para que sejam disponibilizadas salas abertas, com circulação de ar. É inconcebível, no nosso contexto, manter 30 estudantes numa sala fechada por 5 horas. Eu vejo com grande preocupação essa realização em salas fechadas, mesmo com o uso de máscaras. 

  • Quais as medidas de proteção essenciais nesses ambientes fechados? 

Realmente, o uso da máscara é o que nos resta, além da higienização das mãos. O indicado é trocar as máscaras depois de 2 horas, pois com o passar do tempo ela vai perdendo a eficiência, então leve máscaras extras.   

  •  Qual o melhor tipo de máscara para evitar o contágio nesses ambientes? 

Não há necessidade da máscara N95, esse equipamento é de uso exclusivo de profissionais da saúde. A máscara cirúrgica também é mais utilizada para uso hospitalar, mas no contexto da pandemia temos visto bastante o uso dela. Caso o estudante possa ter acesso, é a mais indicada. Quem não puder, opte pelas de algodão de dupla camada, não são profissionais, mas estudos apontam que são muito eficazes.  

  •  Na hora do lanche, como fazer para se proteger estando em um ambiente fechado com ar ou ventilador? 

Nesses casos, começamos a trabalhar uma questão de redução de danos. Retirar a máscara por um curto espaço de tempo não representa um risco tão significativo, então tire a máscara o mínimo de tempo possível. Se tiver que tomar uma água ou fazer um lanche, tente ser rápido. Opte por levar barrinhas de cereal ou algo que seja de rápido consumo.